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Mauricio Stycer


Netflix vai investir no México mais que o dobro do que no Brasil em 2020

Cena de "Roma", filme do mexicano Alfonso Cuarón, lançado pela Netflix e vencedor do Oscar em 2019 - Divulgação
Cena de "Roma", filme do mexicano Alfonso Cuarón, lançado pela Netflix e vencedor do Oscar em 2019 Imagem: Divulgação
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

20/12/2019 05h01

A Netflix anunciou em outubro que planeja investir R$ 350 milhões no Brasil em 2020 na produção de séries, filmes e realities, além do licenciamento de conteúdo. Desse investimento devem resultar 30 títulos "originais Netflix" nos próximos um ou dois anos.

A cereja no bolo deste investimento foi a contratação do humorista Leandro Hassum, que deixou a Globo após 21 anos e se comprometeu a fazer dois filmes para o serviço de streaming.

Em entrevista ao UOL, Adrien Muselet, diretor de aquisição de conteúdo da empresa, disse, na ocasião: "Temos uma audiência cada vez maior e cada vez mais direta no Brasil e no mundo. E pretendemos investir no ano que vem tanto em séries feitas no Brasil como em filmes brasileiros".

Um pouco antes deste anúncio, em meados de setembro, o presidente e CEO da Netflix, Reed Hastings, havia informado que a empresa vai investir US$ 200 milhões (cerca de R$ 812 milhões) no México em 2020. O serviço planeja produzir 50 séries e filmes no país no ano que vem. É mais que o dobro do valor anunciado para o Brasil.

Esta semana, pela primeira vez, a Netflix detalhou a distribuição geográfica dos seus 158 milhões de assinantes. São 67,1 milhões entre EUA e Canadá, 47,3 milhões entre Europa, Oriente Médio e África, 29,3 milhões na América Latina e 14,4 milhões na Ásia. A mais alta receita média por assinante, US$ 12,36 (R$ 50), está nos EUA/Canadá e a mais baixa, de US$ 8,21 (R$ 33), na América Latina.

A Netflix não divulga o número de assinantes por pais. No Brasil, a empresa reconhece apenas que tem "mais de 10 milhões de assinantes", um terço aproximadamente do total anunciado para a América Latina. Ou seja, a grande maioria dos clientes da empresa nesta região é formada por espectadores em língua espanhola.

A questão da língua nativa tem um peso importante no consumo audiovisual. E ajuda a entender porque a Netflix planeja investir mais no México do que no Brasil. A produção em língua espanhola alcança muito mais assinantes no conjunto de países da América Latina do que a feita em português.

E não só na América Latina. O espanhol é falado por cerca de 530 milhões de pessoas no mundo enquanto o português é falado por 234 milhões, segundo dados do instituto americano SIL International.

Foi no México que a Netflix começou a produzir programação original em língua não inglesa quando decidiu se expandir internacionalmente, em 2011. Produções locais costumam "viajar" bem para o exterior e já renderam prestígio (caso do filme "Roma") e boa audiência à empresa ("La Casa de las Flores", "A Rainha do Tráfico", "Club de Cuervos", "Luis Miguel", "Narcos: México", entre outros).

Outra questão importante é a proximidade dos Estados Unidos. Para os americanos, pode ser mais barato produzir no país vizinho. Além disso, o México oferece incentivos a produtores estrangeiros que se associam a produtoras locais.

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