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Mauricio Stycer


No segundo dia, caso Flávio Bolsonaro cresce na Globo e some na Record

Os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional  - Reprodução/Globo
Os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos no Jornal Nacional Imagem: Reprodução/Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

20/12/2019 07h38

Como tem ocorrido com frequência em 2019, o noticiário de televisão que envolve o governo Bolsonaro ou a família do presidente tem merecido tratamento muito diferente das grandes redes de TV aberta. Não foi diferente esta semana com a cobertura da operação do Ministério Público do Rio que teve como alvo o senador Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Assisti ao principal telejornal de sete canais de TV na quarta e na quinta-feira. Veja como o caso foi noticiado:

Na quarta-feira (18), dia em que foi deflagrada a operação de busca e apreensão em endereços ligados aos dois, o "Jornal Nacional", da Globo, exibiu uma reportagem de três minutos e meio sobre o assunto enquanto o "Jornal da Record" falou do caso por 65 segundos, sendo um terço do tempo dedicado à defesa do senador.

Flávio Bolsonaro e Queiroz foram o segundo principal destaque do dia na "escalada" (as chamadas da abertura) do JN. No JR não houve chamada na abertura.

No "SBT Brasil", que exibiu reportagem de dois minutos e meio, também houve chamada na abertura. Igualmente, "Jornal da Band" e "RedeTV News" deram espaço para a ação do MP e exibiram reportagens sobre o assunto de cerca de três minutos cada.

Quem mais tempo ofereceu ao caso na quarta-feira foram o "Jornal da Cultura" e o "Jornal da Gazeta". No primeiro, que dedicou cinco minutos, entre noticiário e comentários, foi o principal assunto do dia. No segundo, Flávio Bolsonaro também foi tema de reportagem e análise por cinco minutos e meio.

Já na quinta-feira (19), a situação mudou. Enquanto o JN dobrou o tempo dedicado ao assunto, o caso sumiu do JR. O telejornal da Globo exibiu duas reportagens, num total de oito minutos aos desdobramentos da operação do MP. A Record não falou nada em seu principal telejornal.

No "SBT Brasil" e no "Jornal da Band" o caso perdeu força, mas seguiu sendo tratado em reportagens (de cerca de dois minutos em cada). No "RedeTV News", tal como no JR, o assunto sumiu.

Mais uma vez, o "Jornal da Cultura" foi quem mais dedicou espaço a Flávio Bolsonaro. Além de ser o principal destaque do telejornal, foi tema de reportagem e comentários por mais de oito minutos. No "Jornal da Gazeta", o caso rendeu seis minutos entre relatos e análise.

Em maio, a quebra do sigilo bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro autorizada pela Justiça do Rio também mereceu tratamento jornalístico muito diferente dos principais telejornais da TV aberta brasileira. Naquela ocasião, Record e SBT dedicaram ao assunto quatro vezes menos tempo que a Globo.

E em janeiro, quando as investigações do Ministério Público foram reveladas pelo "Jornal Nacional", ocorreu um fato inusitado. Flávio Bolsonaro deu entrevista ao "Domingo Espetacular" da Record na qual respondeu a duas denúncias divulgadas pelo JN nos dias anteriores. Na mesma noite, no "Fantástico", Ana Paula Araújo criticou a entrevista.

A apresentadora observou que o programa concorrente deixou de fazer duas perguntas ao senador eleito que poderiam ter esclarecido melhor o que foi dito. E, com alguma ironia, registrou que o senador eleito não respondeu a uma questão essencial por que não foi questionado a respeito.

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