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Novelas do Vale a Pena Ver de Novo foram melhores que as estreias de 2019

Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) voltaram à TV com a reprise de Avenida Brasil  - Reprodução/TV Globo
Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) voltaram à TV com a reprise de Avenida Brasil Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

27/12/2019 10h41

Com a exceção de "Bom Sucesso" e, mais recentemente, de "Amor de Mãe", o ano não foi bom em matéria de novelas na TV. E antes que alguém levante a voz para falar da audiência de "A Dona do Pedaço", já aviso que não estou falando de Ibope, mas de qualidade.

Olhando em retrospectiva, a faixa do Vale a Pena Ver de Novo, da Globo, foi a mais sólida em 2019. Três boas escolhas deram um panorama diversificado da produção da emissora. Começou com "Cordel Encantado" (2011), de Duca Rachid e Thelma Guedes, prosseguiu com "Por Amor" (1997), de Manoel Carlos, e terminou com "Avenida Brasil" (2012), de João Emanuel Carneiro, que superou um lobby forte em defesa da reprise de "Êta Mundo Bom".

Na faixa das 18h, a Globo apostou em mais do mesmo com "Espelho da Vida", a quinta trama com temática espírita de Elizabeth Jhin, e com "Éramos Seis", a quinta versão para a TV do romance de Maria José Dupré.

Entre as duas, "Órfãos da Terra" se destacou, claro. Duca Rachid e Thelma Guedes trouxeram uma boa proposta (falar de intolerância e respeito ao próximo), algumas boas histórias, mas uma trama dependente demais de seus vilões.

Na faixa das 19h, a Globo exibiu por quase seis meses a primária, boba e esquecível "Verão 90" e no segundo semestre a ótima "Bom Sucesso". Já escrevi e falei muito sobre as qualidades da trama de Rosane Svartman e Paulo Halm. É incrível, e dá alguma esperança, que uma novela tratando sobre livros e literatura tenha alcançado tamanha unanimidade entre críticos e público.

Por fim, na faixa das 21h, duas decepções ocuparam boa parte do ano. No primeiro semestre, "O Sétimo Guardião", e no segundo, "A Dona do Pedaço". A primeira prometeu revisitar um gênero querido por Aguinaldo Silva, o realismo mágico, mas não conseguiu decolar por problemas variados, como expliquei aqui. A segunda, como outras tramas de Walcyr Carrasco para este horário, primou pelo texto pobre, os personagens mal construídos e as situações criadas apenas para chocar.

A estreia, no final de novembro, de "Amor de Mãe" alivia um pouco o quadro em 2019. Em torno de uma típica Mãe Coragem, a Lurdes vivida por Regina Casé, a trama de Manuela Dias tem divertido e emocionado em doses iguais. Pelo que se viu até agora, oferece a esperança de um bom folhetim para os primeiros meses de 2020.

A Record estreou três títulos em 2019. A novela bíblica "Jezabel" serviu para mostrar que este filão religioso está muito perto do esgotamento. Já "Topíssima" indicou que a retomada de temas contemporâneos pode ser um bom caminho para a emissora. A novela de Cristianne Fridman, ainda que um pouco elementar demais na caracterização dos personagens e dos conflitos, ofereceu entretenimento honesto ao espectador. No final do ano, com texto da mesma autora, a emissora lançou "Amor Sem Igual".

Mauricio Stycer