PUBLICIDADE
Topo

Tempo dedicado à demissão de Alvim em telejornais vai de 4 a 24 minutos

Roberto Alvim foi demitido após a repercussão de vídeo em que parafraseou o ministro da Propaganda de Hitler - Reprodução
Roberto Alvim foi demitido após a repercussão de vídeo em que parafraseou o ministro da Propaganda de Hitler Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/01/2020 01h17

A demissão de Roberto Alvim do comando da Secretaria de Cultura do governo federal foi destaque, naturalmente, em todos os telejornais das maiores emissoras de TV aberta em São Paulo nesta sexta-feira (17).

O presidente Jair Bolsonaro, como se sabe, demitiu o assessor em resposta à repercussão de um discurso feito por Alvim na noite anterior. Ao falar sobre o seu projeto de arte nacional, o então secretário reproduziu trechos de uma fala de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista.

Quase todos os telejornais tiveram a preocupação e o cuidado de exibir, junto com o noticiário do dia, reportagens ou comentários de caráter histórico. Houve uma compreensão quase generalizada de que, para entender a gravidade do caso e a repercussão que teve, era essencial saber o que foi o nazismo e quem foi Goebbels, cujas palavras Alvim parafraseou.

Só o "Jornal da Record", o que dedicou menos tempo ao assunto (3 minutos e 45 segundos), não contextualizou devidamente o caso. O telejornal noticiou a demissão, citou a repercussão política e exibiu trechos de uma entrevista com Alvim, mas não explicou quem foi Goebbels nem o que ele representou para o regime nazista.

O noticiário também não mostrou imagens da live realizada na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro na companhia de Alvim, a quem elogiou.

O "SBT Brasil", além de noticiar o caso, convocou o seu correspondente em Londres, Sérgio Utsch, para explicar didaticamente por que é tão grave reproduzir falas nazistas. O telejornal falou sobre o assunto por 6 minutos e 10 segundos.

O "RedeTV! News", além de uma longa reportagem, contou com a opinião de Boris Casoy elogiosa a Bolsonaro e duríssima com Alvim. O âncora do telejornal disse: "O discurso foi gravíssimo e o presidente Bolsonaro não perdeu tempo. Fez muito bem. Deu um pé na bunda deste estranho personagem. Roberto Alvim, vá para o inferno! Nazismo nunca mais!" No total, foram 6 minutos e 30 segundos dedicados ao tema.

O "Jornal da Band" exibiu três reportagens sobre o caso, uma delas especificamente sobre o nazismo, num total de 7 minutos. No "Jornal da Gazeta", o assunto se prolongou por 13 minutos, com direito também a uma matéria específica sobre Goebbels e um comentário contundente de Josias de Souza com críticas a Bolsonaro.

No "Jornal Nacional", a demissão de Alvim foi assunto por 16 minutos. A extensa cobertura mostrou, didaticamente, a cronologia do caso. A fala de Bolsonaro sobre o então secretário ("agora temos sim um secretário de Cultura de verdade") foi reproduzida na íntegra, seguida de trechos do discurso de Alvim, realizado horas depois.

Outra reportagem, igualmente didática, explicou por que Goebbels foi "uma das figuras mais monstruosas do regime nazista, um antissemita raivoso que difundiu a ideia de que o povo judeu era um inimigo a ser aniquilado".

Já o "Jornal da Cultura", com um formato que privilegia os comentários de dois convidados, dedicou 24 minutos ao caso Alvim nesta sexta-feira. Além das reportagens sobre o assunto, em Brasília e em São Paulo, e entrevistas com diferentes especialistas, no estúdio a jornalista Vera Magalhães e o economista Ricardo Sennes reforçaram as críticas ao ex-secretário.

De um modo geral, a TV aberta cumpriu bem o seu papel ao noticiar o assunto e associar a gravidade do caso às suas conexões de caráter histórico.

Mauricio Stycer