PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Mauricio Stycer


Novela não é ciência e o segredo do seu sucesso pode ser um mistério

Paloma (Grazi Massafera) e Marcos (Rômulo Estrela) em Bom Sucesso  - Reprodução/TV Globo
Paloma (Grazi Massafera) e Marcos (Rômulo Estrela) em Bom Sucesso Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

19/01/2020 05h01

Chega ao final na próxima sexta-feira (24) a novela "Bom Sucesso". Atração da faixa das 19h, ela vem registrando uma média de audiência superior a das 13 tramas que a precederam no horário. Os números da reta final, em torno de 30 pontos, são semelhantes ao da novela das 21h, o principal produto da Globo.

"Bom Sucesso" mostrou a relação de um rico editor de livros, Alberto (Antônio Fagundes), vivendo os seus últimos meses de vida, com a costureira Paloma (Grazi Massafera), que se torna sua acompanhante. Em tom suave, eles passaram a novela lendo e comentando sobre obras clássicas da literatura.

Ao redor da dupla, houve histórias típicas de folhetim, amores e desamores, drama e superação, um vilão carismático (Diogo, vivido por Armando Babaioff), crianças fofas e muito mais.

O que "Bom Sucesso" tinha de diferente? O que explica o seu sucesso? Não são perguntas fáceis de responder. Numa entrevista com os dois autores da trama, Rosane Svartman e Paulo Halm, ouvi o que talvez seja a melhor hipótese: a novela conseguiu estabelecer uma sintonia com o seu tempo. Foi Halm que observou, após contar que a dupla apresentou várias sinopses antes de conseguir aprovar esta:

"O que Bom Sucesso tem que as outras sinopses não tinham? Provavelmente uma sintonia com o momento vivido pelo público, mais especificamente, pela sociedade e pelo país (que o espectador com certeza representa), algo difícil de se detectar ou mesmo prever quando pensamos a trama e mesmo quando começamos a escrever - até porque cada vez estamos escrevendo as novelas com grande antecedência à sua data de exibição", disse ele.

E acrescentou: "Acho que Bom Sucesso acabou falando ao público do segundo semestre de 2019, ao brasileiro cansado com a estupidez e a boçalidade predominantes nos dias atuais e funcionando como um bálsamo de sensibilidade, empatia e de civilidade. Talvez há um ano, nossa novela tivesse sido ignorada ou até mesmo rejeitada por uma plateia mais hostil ou refratária aos temas que abordamos (e à forma como abordamos esses temas)."

Pode haver regras e padrões a serem seguidos por quem escreve uma novela, mas há alguns componentes imprevisíveis também. Não é ciência. Não existe um segredo para alcançar um bom sucesso.

Stycer recomenda
. Requisitado, Paulo Vieira ri: Vim pra Globo pra ser o Tiago Leifert preto
. "Papa da dublagem", Orlando Drummond ganhou papel de Seu de Peru por acaso
. Ajuste na escala das 21h coloca Gloria Perez à frente de autor estreante
. Atacada por aliados de Bolsonaro, Sheherazade diz: "Nada foi tão violento"

Melhor da semana
Desabafo em Amor de Mãe: "A gente não é gente, não; a gente é sobrevivente"

Pior da semana
Se Joga dá menos ibope que Vídeo Show no país, e Record encosta

Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

Siga a coluna no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mauricio Stycer