PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Mauricio Stycer


BBB20 - "Edição histórica"? Globo muda tudo para não mudar nada no BBB

Os nove famosos não tão famosos assim do grupo Camarote na estreia do "BBB20"  - Reprodução/Globoplay
Os nove famosos não tão famosos assim do grupo Camarote na estreia do "BBB20" Imagem: Reprodução/Globoplay
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

22/01/2020 05h01

A estreia do "BBB20" confirmou uma impressão que já havia sido antecipada pela intensa campanha de promoção divulgada nas últimas semanas. A saber, que a vigésima edição do reality show mais bem-sucedido da televisão brasileira vai passar por uma transformação radical. A única coisa que não foi dita é que tantas mudanças servem ao propósito de, na realidade, não mudar nada.

A longevidade do "BBB" se explica, justamente, pelo fato de o programa ser o mesmo desde a estreia e de ter poucas regras, compreensíveis por qualquer pessoa. Duas dezenas de pessoas confinadas, sem contato com o mundo exterior, lutam para convencer o público que merecem permanecer o maior tempo possível dentro de uma casa.

Ao longo dos anos, a Globo testou diferentes perfis de participantes. É a forma mais simples de dar aparência de novo a um programa que não muda. Além do padrão básico — mulheres loiras bonitas e homens atléticos fortes, todos jovens — a emissora sempre promoveu algumas variações, buscando preencher "cotas", com negros, gays, obesos, idosos, intelectuais e transexuais, entre outros "tipos".

Entre as muitas experiências já tentadas, nenhuma frustrou tanto o público quanto a da edição passada. Para quem não se lembra, em janeiro de 2019, início do governo Bolsonaro, foram colocados em oposição, para brigar, dois grupos bem distintos, um de "engajados" e outro de "festeiros". O resultado foi a pior audiência da história do programa.

A opção da vigésima edição é novamente por dois grupos. O primeiro, apelidado de Pipoca, é formado por nove tipos anônimos, como sempre foi. O outro, Camarote, é composto por pessoas conhecidas (chamá-las de famosos é um exagero). "Talvez vocês conheçam algumas delas", disse o apresentador Tiago Leifert, com condescendência.

Esses "famosos" representam, de fato, algo inédito no "Big Brother" brasileiro, mas comum em versões exibidas em outros países. Além de ser o tipo-padrão de integrante da "Fazenda".

A Globo tem anunciado esta edição como "histórica". De fato, é motivo de festa um programa comemorar 20 edições ainda despertando enorme interesse comercial e de público. Mas isso não é inédito nem histórico. O "Domingão do Faustão" fez 30 anos em 2019. Silvio Santos apresenta o mesmo programa há quase 60 anos.

As mudanças nas regras do "BBB", dando mais poder ao líder e tornando mais difícil a vida dos confinados, tendem a tornar a competição mais dinâmica. Isso amplia o potencial de intrigas e confusões entre os participantes, o que é sempre positivo.

O maior desafio que uma competição como o "BBB" enfrenta ao chegar à vigésima edição é, justamente, convencer os participantes que eles têm algo a ganhar ao se meterem em brigas, futricas e disputas transmitidas no horário nobre da Globo. Se houver "comprometimento", como gosta de pedir Tiago Leifert, já será um feito.

O apresentador é outro que enfrenta um desafio em 2020, uma vez que a sua atuação na edição passada deixou muito a desejar. Leifert deu sinais de que está animado, o que é bom, mas pode ser perigoso. Já manifestou encanto pela inteligência do mágico Pyong Lee ("Eu sabia que você ia fazer essa pergunta", elogiou) e já cometeu um primeiro erro ao anunciar o "Fora de Hora" como "Fora do Ar".

O "BBB20" não precisa ser histórico. Sendo mais divertido e alto astral que o 19 já está de bom tamanho.


O lado B do BBB

Mauricio Stycer