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Mauricio Stycer


Netflix cresce em 2019, mas terá desafios enormes nos próximos anos

A série "The Witcher" foi um dos maiores sucessos da Netflix em 2019 - Reprodução / Internet
A série "The Witcher" foi um dos maiores sucessos da Netflix em 2019 Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

26/01/2020 05h01

"As notícias sobre a minha morte são exageradas", ironizou certa vez o escritor e humorista Mark Twain (1835-1910). Lembrei mais uma vez da frase ao ler sobre os resultados da Netflix em 2019.

Contrariando previsões pessimistas, o serviço de streaming anunciou crescimento na base de assinantes e faturamento acima dos previstos. Terminou o ano com mais de 167 milhões de assinantes em todo o mundo (61 milhões dentro dos EUA), um aumento de cerca de 20% em relação ao total de 2018.

É verdade que a maior parte do crescimento na base de assinantes ocorreu fora dos Estados Unidos. Pode ser um sinal de que a Netflix está começando a sentir o peso da concorrência no seu país, em particular da Disney, que lançou o seu serviço no final do ano passado. "Tira um pouco de nós", reconheceu pela primeira vez o CEO da empresa, Reed Hastings, em uma conversa com acionistas.

A maior parte das análises sobre estes resultados da Netflix em 2019 apontam para o fato de que a empresa depende cada vez mais de sua internacionalização para crescer. E ela tem respondido a isso com investimentos em diferentes mercados locais, inclusive no Brasil, com a contratação de artistas da Globo e do SBT e a produção de dezenas de séries.

A maior concorrência interna, porém, também terá efeitos, em breve, nos mercados externos. Amazon, Disney, Apple e Warner (HBO Max) estão começando a oferecer os seus serviços em quase todo o mundo - e com preços mais competitivos.

Outra dificuldade no caminho é a regulação do mercado de vídeo sob demanda, que está sendo discutida em inúmeros países, como a França e o próprio Brasil. Futuras legislações a respeito devem implicar em taxação e obrigações de produção de conteúdo local.

No Brasil, em particular, há ainda a concorrência da Globo. A empresa tem o segundo serviço de streaming mais popular (atrás da Netflix), tem feito investimentos de peso em conteúdo e tecnologia e ambiciona ser líder de mercado em dez anos, como registrou o site TelaViva.

"Nós vimos a mudança da concorrência do mundo da TV aberta para outros grandes players globais, como Amazon e Disney. Mas mesmo com essa concorrência queremos ser os líderes do mercado de streaming brasileiro", disse Erick Bretas, diretor-geral do serviço durante o lançamento de uma parceria com a empresa norte-americana Roku.

Ao anunciar os seus resultados do último trimestre de 2019, a Netflix realçou o papel do seu investimento em conteúdo próprio, citando o filme "O Irlandês" e as séries "The Crown" e "The Witcher" como exemplos de sucesso nesta estratégia. Esta última teria estabelecido um novo recorde para a empresa ao ser vista por 76 milhões de famílias nas primeiras quatro semanas após seu lançamento.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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