PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Mauricio Stycer


Flamengo vê relação entre crítica de Faustão ao clube e impasse em contrato

 Faustão classificou como "revoltante" a atitude de dirigentes do Flamengo no caso do incêndio no Ninho do Urubu - Reprodução/TV Globo
Faustão classificou como "revoltante" a atitude de dirigentes do Flamengo no caso do incêndio no Ninho do Urubu Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

11/02/2020 00h50

O incêndio que causou a morte de dez meninos no Ninho do Urubu há um ano e a forma como o Flamengo está lidando com o caso hoje foram tema de uma série de programas da Globo nos últimos dias.

O clube ouviu críticas duras em uma reportagem de quase 20 minutos no "Esporte Espetacular" no último dia 2, mas teve espaço para apresentar o seu ponto de vista. Três dias depois, na quarta-feira (05), a direção do Flamengo levou uma bronca em público de Fátima Bernardes, que tratou do incêndio e de suas consequências por mais de 30 minutos.

Após apresentar as justificativas do clube, a apresentadora ironizou o fato de a direção do Flamengo argumentar que tem tido dificuldades para falar diretamente com os pais das crianças mortas. "Nós não tivemos nenhuma dificuldade porque a gente pegou o telefone e ligou. Isso independe de você querer falar com advogado", disse Fátima.

"Ninguém está falando para que a negociação financeira seja feita com a família, porque talvez eles nem tenham condição de saber exatamente aquilo a que tem direito. Mas ligar para dizer 'sinto muito, como é que vocês estão?', não precisa de autorização de advogado. Sinto muito, né?", acrescentou a apresentadora.

No domingo (09), foi a vez de Fausto Silva criticar o Flamengo no seu "Domingão". "É inadmissível, indecente o comportamento dos diretores do Flamengo no caso do incêndio. O problema não é dinheiro, até porque dinheiro algum vai trazer as vidas de volta", disse o apresentador.

"O problema é principalmente caráter, ter a sensibilidade, um tanto de humanismo. Como é que esses dirigentes conseguem chegar em casa e olhar os filhos e olhar os netos, sem nenhum respeito a quem perdeu as crianças? É revoltante em todos os aspectos", acrescentou.

Na segunda-feira (10) à noite, a direção do Flamengo divulgou uma nota em que acusa Faustão de "desconhecimento" ao divulgar "uma série de acusações infundadas que, além de atacar a honra dos dirigentes, acabaram também por atingir a imagem da instituição Flamengo."

Ao final da nota, o clube estabelece uma relação entre as críticas de Faustão e o impasse nas negociações do clube com a Globo por direitos de transmissão do Estadual do Rio de 2020. No fim de janeiro, o clube acionou a emissora na Justiça por supostas divergências no contrato do Campeonato Brasileiro.

"Todos estes pontos (criticados por Faustão) poderiam ser facilmente levantados pela equipe de produção da Rede Globo de Televisão antes das acusações. Como isto não foi feito, infelizmente nos leva a crer que tamanha agressividade tem como pano de fundo interesses comerciais não atendidos e que se sobrepõem ao trabalho de informar corretamente aos telespectadores", diz a nota.

"Isto, ao nosso ver, constitui abuso de direito e tentativa de indução negativa da opinião pública, algo inadmissível do ponto de vista moral e ético".

Na terça-feira, após o "Encontro com Fátima Bernardes", perguntei à Globo se havia alguma relação entre o tom da cobertura e o impasse nas negociações. A resposta foi que a minha pergunta era "ofensiva" e a "ilação não têm nenhum cabimento". "Você conhece o compromisso de isenção da Globo com seus conteúdos editoriais. Como você mesmo afirma, um ano do trágico acontecimento mais do que justifica a cobertura. Seria até leviano não relembrá-lo", disse a emissora.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mauricio Stycer