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Mauricio Stycer


Globo responde ao Flamengo e diz que não mistura jornalismo e negócios

Torcedores do Flamengo colocam faixa de protesto sobre postura de diretoria em relação ao Ninho do Urubu - Bruno Braz / UOL
Torcedores do Flamengo colocam faixa de protesto sobre postura de diretoria em relação ao Ninho do Urubu Imagem: Bruno Braz / UOL
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

11/02/2020 15h33

O Flamengo enxergou algo por trás das críticas feitas por Fausto Silva no último domingo (09) à diretoria do clube pela condução do caso do incêndio no Ninho do Urubu, que causou a morte de dez jovens.

Na segunda-feira (10), um dia após o ataque do apresentador ("É inadmissível, indecente o comportamento dos diretores do Flamengo no caso do incêndio"), o clube emitiu uma nota em que dizia: "Tamanha agressividade tem como pano de fundo interesses comerciais não atendidos e que se sobrepõem ao trabalho de informar corretamente aos telespectadores".

E mais: "Isto, ao nosso ver, constitui abuso de direito e tentativa de indução negativa da opinião pública, algo inadmissível do ponto de vista moral e ético".

Em outras palavras, a direção do Flamengo estabeleceu uma relação entre as críticas de Faustão e o impasse nas negociações do clube com a Globo por direitos de transmissão do Estadual do Rio de 2020. Além disso, no fim de janeiro, o clube acionou a emissora na Justiça por supostas divergências no contrato do Campeonato Brasileiro.

Nesta terça (11), a Globo respondeu em nota: "A ilação sugerida pelo Flamengo não tem cabimento. Chega a ser ofensiva. O marco de um ano desde o trágico acontecimento mais do que justifica a recente cobertura, que vem sendo feita por todos os veículos de imprensa".

E acrescentou: "A Globo não mistura jornalismo e negócios. Nosso compromisso é com a divulgação isenta das informações do interesse do público".

Segundo o colunista Rodrigo Mattos, do UOL, a troca de chumbo nestas notas é parte de uma "guerra fria", que não inviabiliza a busca por um acordo comercial do clube com a emissora.

Abaixo, a íntegra da nota da Globo:

"Ao longo de todo 2019, a Globo exibiu partidas do Flamengo em todas as competições que o clube disputou, com uma cobertura à altura da excelente campanha esportiva do clube. E nem por isso deixou de registrar cada nova notícia sobre a tragédia do Ninho do Urubu. Sempre com a isenção, a correção e o respeito que um acontecimento tão trágico exige de quem faz bom jornalismo. ???

Como aconteceu no caso de tantas outras tragédias e acontecimentos marcantes, o incêndio no Ninho do Urubu recebeu atenção total da equipe da Globo - assim como dos demais veículos. No dia 8 de fevereiro de 2019, a Globo alterou sua programação e não exibiu os programas 'Mais Você', 'Bem Estar' e 'Encontro com Fátima Bernardes'. Durante os últimos 12 meses, acompanhou todos os desdobramentos do caso, sempre ouvindo as partes envolvidas. Foram inúmeras entrevistas e dezenas de matérias sobre o assunto ao longo do ano, exibidas nos telejornais e programas da Globo. Todas estão disponíveis no Globoplay. A Globo não mistura jornalismo e negócios. Nosso compromisso é com a divulgação isenta das informações do interesse do público."

E a íntegra da nota do Flamengo:

"Na noite do último domingo (9/02), durante o programa Domingão do Faustão, da Rede Globo de Televisão, o apresentador Fausto Silva acusou, de forma leviana e inconsequente, as diretorias (passada e atual) do Clube de Regatas do Flamengo de agirem de forma desrespeitosa nas negociações com as famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu.

Mostrando seu total desconhecimento sobre o caso, o apresentador da Rede Globo, sob a desculpa de apoiar uma possível manifestação de torcedores - hoje cancelada - destilou uma série de acusações infundadas que, além de atacar a honra dos dirigentes, acabaram também por atingir a imagem da instituição Flamengo.

O apresentador Fausto Silva desconhece, ou preferiu omitir, todo o trabalho que o Flamengo tem feito para minimizar os efeitos desta que foi a maior tragédia do Clube em seus 124 anos de existência:

- Não falou que 19 famílias e meia, das 26 atingidas pela tragédia, já entraram em acordo no que diz respeito às indenizações.

- Que o Flamengo, desde o primeiro momento da tragédia, trouxe familiares de todas as vítimas para o Rio de Janeiro e os hospedou em um hotel para que pudessem acompanhar de perto as apurações das autoridades competentes. O mesmo aconteceu com as famílias residentes no Rio de Janeiro.

- Que, por iniciativa própria, o Clube pagava, desde fevereiro de 2019, uma ajuda de custo mensal no valor de R$ 5 mil, ou seja, seis vezes maior do que a média que os atletas recebiam. Desde o fim do ano passado o valor pago pelo clube passou para R$ 10 mil.

- Que, desde o primeiro momento, o Flamengo disponibiliza assistência médica, pedagógica, psicológica e social para as vítimas e seus familiares.

- Que o Flamengo ofereceu a todas as famílias um valor muitas vezes superior ao que a Justiça brasileira costuma determinar em casos como este.

- Que o Clube mantém sim contato com as famílias, inclusive por meio dos advogados constituídos por elas próprias para representá-las.

Todos estes pontos poderiam ser facilmente levantados pela equipe de produção da Rede Globo de Televisão antes das acusações. Como isto não foi feito, infelizmente nos leva a crer que tamanha agressividade tem como pano de fundo interesses comerciais não atendidos e que se sobrepõem ao trabalho de informar corretamente aos telespectadores.

Isto, ao nosso ver, constitui abuso de direito e tentativa de indução negativa da opinião pública, algo inadmissível do ponto de vista moral e ético.

Por fim, o Flamengo reitera que sempre esteve - e continua - à inteira disposição das famílias para o diálogo e assim seguirá até que todas sejam indenizadas de forma justa."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mauricio Stycer