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Mauricio Stycer


Dudu Camargo quebra o clima familiar do recatado Bastidores do Carnaval

Flavia Noronha e Leo Dias no comando do Bastidores do Carnaval - Reprodução
Flavia Noronha e Leo Dias no comando do Bastidores do Carnaval Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

22/02/2020 01h52Atualizada em 22/02/2020 11h46

Quem se acostumou a sintonizar a RedeTV! durante o Carnaval levou um susto nesta sexta-feira (21). Nenhum pedido para a modelo rebolar, nenhum comentário sobre silicone, nenhuma piada de duplo sentido, nenhuma baixaria. O velho e bom "Bastidores do Carnaval" morreu.

Ou melhor, quase morreu. A RedeTV! esqueceu de combinar com Dudu Camargo, apresentador do SBT, que fez duas breves aparições no programa da concorrente. Na primeira, apalpou os seios da cantora Simony; na segunda, mergulhou sem camisa numa banheira num camarote;

Excluindo estes momentos de Camargo, em seu 19º ano, o "Bastidores do Carnaval" virou uma atração tão leve que poderia ser exibida, sem maiores restrições, no período da tarde ou até mesmo pela manhã. "Não pode ter baixaria. Agora é pra família brasileira assistir", anunciou o jornalista Leo Dias, responsável pela reformulação.

O primeiro choque foi não encontrar o veterano Nelson Rubens no estúdio, comandando a festa. Ao lado de Flavia Noronha, quem apareceu foi o próprio Leo Dias. Nelson foi deslocado para o Sambódromo paulistano, onde foi chamado esporadicamente para fazer entrevistas ao lado de Simony.

A vinheta de abertura reiterou a nova proposta, aparentemente inspirada em alguma campanha do governo Bolsonaro: "Pode chamar a família!"

Em busca dos "verdadeiros artistas do Carnaval", como prometeu Leo Dias, os repórteres do "Bastidores" ignoraram as modelos anônimas e subcelebridades que sempre fizeram a alegria dos notívagos e destacaram sambistas da velha guarda, baianas, rainhas de bateria e uma passista grávida.

Simone Sampaio, rainha da bateria da Dragões da Real, em seu último desfile na função, ficou quase dez minutos no ar do "Bastidores". Luan Santana foi entrevistado no Rio ("Te ouço todo dia no meu carro", avisou Flavia). Leci Brandão passou por lá, assim como Silvia Grecco e seu filho Nickollas, torcedores do Palmeiras premiados pela Fifa.

Entre Simony e Nelson Rubens, o apresentador do SBT Dudu Camargo apalpa os seios da cantora  - Reprodução/RedeTV!
Entre Simony e Nelson Rubens, o apresentador do SBT Dudu Camargo apalpa os seios da cantora
Imagem: Reprodução/RedeTV!

Escalada como "ombudsman", Simony criticou um close que estava se aproximando demais do corpo de uma modelo. "Tá regulando close", reclamou no estúdio o apresentador e roteirista Thiago Pasqualotto. "Os tempos são outros", explicou Leo Dias.

Coube a Simony, justamente, ser vítima do único constrangimento ocorrido durante a transmissão. O apresentador Dudu Camargo, do SBT, apalpou os seios da cantora ao ser entrevistado por ela (veja abaixo). Perto das 2h da manhã, Camargo tirou a camisa e entrou na banheira em um camarote. Nelson Rubens ameaçou acompanhá-lo, mas desistiu a tempo.

Bem-humorado, Pasqualotto salvou a noite lendo mensagens no Twitter que criticavam o programa ou rindo da própria equipe. Flavia Noronha pediu para ele cantar "Caneta Azul" e ele respondeu. "Não sou tão bem pago pra isso".

Enfim, "Bastidores do Carnaval" perdeu a graça. Dos velhos tempos, manteve apenas o mau hábito de deixar várias pessoas falando ao mesmo tempo sem que o espectador entenda nada.

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