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Mauricio Stycer


Piada de Adnet com Bolsonaro não é nova, mas ganha mais graça no Carnaval

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/02/2020 18h09

Um dos momentos mais marcantes do desfile da São Clemente no Carnaval carioca, o comediante Marcelo Adnet imitando o presidente Jair Bolsonaro no ato de fazer flexões, não se caracterizou exatamente pela originalidade. Mas ganhou pontos no quesito humor.

Desde junho do ano passado, esta piada já foi apresentada em diferentes formatos, de espetáculos de stand up a programas de humor na televisão (vídeo acima). A principal diferença nesta segunda-feira (24), no Sambódromo, foi a encenação totalmente sem palavras, realizada por Adnet, que potencializou a graça da situação.

A cena original, que deu origem a muitas imitações, ocorreu em 19 de junho de 2019, quando a Caixa Econômica Federal anunciou a assinatura de um novo contrato que dará R$ 2,5 milhões ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB). Na companhia do governador de São Paulo, João Dória, Bolsonaro foi ao campo de atletismo e, junto a policiais militares, simulou o movimento de flexões (abaixo).

Não era a primeira vez que o presidente fazia o movimento que foi apelidado de "flexão de pescoço", mas a presença de Dória, fazendo flexão de verdade junto com Bolsonaro, tornou a cena mais engraçada ainda.

Em pouco tempo, a imagem virou piada e chegou aos palcos e à televisão. Num show de stand up que faz em todo país, o humorista Fabio Rabin logo incorporou a cena ao seu espetáculo. "Vocês viram a flexão do Bolsonaro? Eu não tenho a piada. Eu vou fazer." O comentário de Rabin explica por que a cena é tão engraçada: ela dispensa palavras. É humor físico.

Foi de forma semelhante que o quadro "Isso a Globo Não Mostra", exibido pelo "Fantástico" no final de junho, tratou do assunto. Sem palavras, apenas intercalando uma cena da novela "Pé na Jaca" (2006), no qual o personagem de Marcos Pasquim tenta convencer outros a se exercitarem, com trechos do vídeo de Bolsonaro.

Outra imitação foi feita pelo "Zorra" em julho. O esquete traz Fernando Caruso como o presidente Bolsonaro fazendo um balanço dos primeiros seis meses do seu governo. "Se tem uma coisa que eu fiz bem nestes seis meses e todo mundo há de concordar comigo são as minhas flexões. Então, para comemorar eu vou fazer uma flexão para cada dia destes seis meses de governo".

No Sambódromo, Adnet não precisou dizer nada, também. No alto de um dos carros alegóricos da São Clemente, que levou à Sapucaí uma crítica à malandragem com o tema "O Conto do Vigário", o humorista representou o presidente. Fez gestos de "arminha" com as mãos, atirou laranjas para a plateia e, no momento mais surpreendente, fez flexões.

"É um enredo que dialoga com o momento atual e tem tudo a ver com o que a gente está vivendo", disse Adnet após o desfile. "É um assunto com o qual eu já brinco. Mas é um assunto sério"

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