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Mauricio Stycer


Para Globo, inconformismo com morte de Marielle opõe civilização e barbárie

Vereadora Marielle Franco foi morta em março de 2018 - Mário Vasconcellos/CMRJ
Vereadora Marielle Franco foi morta em março de 2018 Imagem: Mário Vasconcellos/CMRJ
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

06/03/2020 16h31

A Globo exibe, na próxima quinta-feira (12), após o "BBB 20", o primeiro dos seis episódios de "Marielle - O Documentário". A série descreve a trajetória da vereadora do Rio de Janeiro, desde a infância até seu assassinato, em 14 de março de 2018. Em paralelo, mostra as muitas idas e vindas das investigações sobre o crime, que até hoje, dois anos depois, ainda não apontaram quem foi o mandante.

"Marielle - O Documentário", dirigido por Caio Cavechini (ex-Profissão Repórter), é o primeiro fruto de uma decisão tomada pela empresa em 2019. "Decidimos que o jornalismo da Globo vai produzir documentários para a Globoplay", anunciou Erick Brêtas, diretor do serviço de streaming.

"E estamos começando com este porque nenhuma história é hoje mais importante e mais urgente do que a da vida e morte de Marielle Franco", acrescentou Brêtas. Na madrugada do dia 13, a série completa será disponibilizada na Globoplay.

Tanto Brêtas quanto Ricardo Vilella, diretor-executivo da série, enfatizaram que "Marielle - O Documentário" não se propôs a investigar quem matou ou mandou matar a vereadora. "Não é nossa função ou responsabilidade. É do Estado, da polícia. Nós procuramos responder por que até hoje não descobriram quem matou Marielle".

Sobre as críticas que a série pode receber, por tratar de uma figura de esquerda no espectro político, que se opunha a figuras do campo da direita, Brêtas observou: "O inconformismo com a morte de Marielle não é de esquerda ou de direita. Opõe civilização e barbárie. E estamos do lado da civilização."

Foram cinco meses de produção do material, que tem conteúdo audiovisual inédito e conta com entrevistas dos familiares das vítimas --além de Marielle, o motorista Anderson Gomes morreu no atentado--, de policiais, de jornalistas que cobriram o caso, de procuradores e de autoridades políticas.

O primeiro episódio emociona com a reprodução de inúmeras trocas mensagens em áudio, texto e vídeo enviadas por WhatsApp por e para Marielle para sua mulher, Mônica, e sua mãe, Marinete, bem como entre o motorista Anderson e sua mulher, Aghata.

José Padilha dirige série de ficção

Além do documentário, a Globo anunciou nesta sexta-feira que também vai fazer uma série de ficção sobre Marielle, a ser dirigida por José Padilha, diretor de "Tropa de Elite". O roteiro será assinado por Antônia Pellegrino e George Moura. Padilha contou que o projeto originalmente se destinava a uma grande empresa estrangeira de streaming. A coluna apurou que se tratava da Amazon.

Ainda em fase embrionária, o projeto deve ser desenvolvido nos próximos meses e tem previsão de ser exibido em 2021.

O colunista viajou ao Rio a convite da Globo.

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