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Aguinaldo Silva se torna um aliado na defesa de novelas mais curtas

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

13/04/2020 15h26

Há muito tempo eu defendo que as novelas deveriam ser mais curtas. Em vez de uma média entre 150 e 180 capítulos, acho que 100 seria um bom número.

Os motivos que explicam a longa duração das novelas são econômicos, sobretudo. Novela é uma produção cara. Envolve muitos gastos pesados, com cenários, figurinos, equipes técnicas, atores etc. Quanto mais tempo fica no ar, mais estes custos são diluídos e o lucro, com a publicidade, é maior.

Se a novela faz sucesso, então, a tendência é esticar ao máximo a sua duração. É a conta perfeita para o negócio.

O problema é a qualidade. Não há criatividade possível para manter interessantes novelas tão longas, com tantos personagens e histórias paralelas, que só servem para encher linguiça.

O termo "barriga" surgiu para designar aquele momento em que as novelas não andam. Ficam enrolando, deixando o tempo passar, com pouca ação e muita embromação.

Já escrevi mais de uma vez a respeito e já ouvi de diferentes pessoas no meio a defesa das novelas mais curtas. O mais recente defensor desta ideia é ninguém menos do que Aguinaldo Silva. Assistindo à reprise da sua Fina Estampa, ele escreveu no Facebook que estava adorando os cortes feitos.

"Por conta da edição temos uma rara chance de ver como as telenovelas seriam bem mais intensas se não tivessem que se estender por 200 capítulos. Fina Estampa, sem as "gorduras" que permitiram ela durar sete meses, só tem a ganhar, pois, depois de se cortar o supérfluo, o que sobra é a boa dramaturgia".

É uma pena que Aguinaldo precisou sair da Globo para defender essa ideia. Mas, enfim, antes tarde do que nunca.

Mauricio Stycer