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"Só guardo minha língua na boca quando o dono da Band falar", diz Datena

José Luiz Datena, apresentador do "Brasil Urgente" - Reprodução / Internet
José Luiz Datena, apresentador do "Brasil Urgente" Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/04/2020 18h24

Na mesma tarde em que fez críticas duras ao ex-ministro Sérgio Moro, o apresentador José Luiz Datena também falou que só responde na Band ao dono da emissora, Johnny Saad.

Datena manifestou neste sábado (25) inconformismo com o fato de Moro ter divulgado para o "Jornal Nacional", da Globo, trechos de uma conversa privada com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

"Eu jamais faria isso. Pegar um print de uma afilhada minha, apresentar a uma emissora de televisão, ou para um jornal", disse. "Se é crime ser hackeado, por que ele age como um hacker particular e pega um print da própria afilhada dele e mostra numa emissora de audiência enorme?".

Datena prosseguiu criticando Moro: "O mesmo cara que é responsável pela ida de um ex-presidente da República para a cadeia, que participou do impeachment da Dilma, é o mesmo cara que quer derrubar o Bolsonaro agora, dizendo que tem provas para derrubar o Bolsonaro. Para você achar santo na política brasileira, vai ser duro", disse.

Posteriormente, reclamando de abusos de preços em supermercados e mercados pequenos, Datena dirigiu-se aos espectadores e disse: "Nós estaremos sempre do seu lado. Mas defendendo de verdade, não pra ganhar voto. Defendendo aquilo que a gente acha que é correto."

Prometendo fiscalizar os preços, o apresentador disse: "Nós vamos ficar no pé até o fim. Não adianta. Vocês podem mandar me matar, podem atirar em mim, podem contratar um atirador, vocês donos de mercado e fornecedores. Eu sei que vocês não fariam isso porque não são bandidos, mas se fizerem não tem problema, não".

E prosseguiu: "Enquanto eu tiver língua e boca, eu estou aqui pra falar. Eu só guardo a minha língua dentro da boca no dia que um cara falar, que é o patrão, o dono, o Johnny (Saad). Se ele falar, vou ficar quieto. É o meu patrão. Daí pra baixo pode ser quem for pra me torrar a paciência que eu vou estar do lado do consumidor".

Datena, então, relatou que já foi objeto de pressão por causa de comentários que fez no programa. "Se você fala mal de grandão, os caras ligam aqui pra te mandar embora. Pra cá, pra Record, pra Globo, pra tudo quanto é lugar. A Volks não gostou de um comentário meu sobre um carro que cortava o dedo. Os caras ligaram pra cá pra meter o pau em mim. E até hoje o dono da TV me manteve aqui. Porque até hoje é tradição da Rede Bandeirantes ter independência".

E concluiu: "Se você não me ver mais aqui é porque não tenho mais independência para trabalhar. E aqui eu sempre tive e o Johnny sempre prezou a liberdade de expressão".

Mauricio Stycer