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Globo ignora Lula, Haddad e Ciro ao repercutir crises do governo Bolsonaro

William Bonner e Renata Vasconcellos, os apresentadores do Jornal Nacional - Reprodução
William Bonner e Renata Vasconcellos, os apresentadores do Jornal Nacional Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

26/04/2020 05h01

Os principais telejornais da Globo têm ignorado com frequência algumas das vozes mais importantes da oposição e destacado outras ao repercutir em seus noticiários as diferentes crises ocorridas no governo do presidente Jair Bolsonaro.

A coluna fez um levantamento sobre a cobertura que o "Jornal Nacional" e o "Fantástico" deram a cinco fatos recentes que geraram enorme repercussão.

A saber: o pedido de demissão de Sergio Moro (24 de abril), a ida de Bolsonaro a um ato pró-golpe (19 de abril), a demissão de Luiz Henrique Mandetta (16 de abril), o pronunciamento do presidente pedindo o fim do isolamento social e atacando a mídia (24 e 25 de março) e a fala do deputado Eduardo Bolsonaro sobre um "novo AI-5" (31 de outubro do ano passado).

Os ex-presidentes Lula (PT), Temer (MDB) e Dilma (PT) e os ex-candidatos presidenciais Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), segundo e terceiro colocados na última eleição presidencial, não foram ouvidos pela Globo em nenhum momento. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ouvido em três destas ocasiões e o ex-presidente José Sarney em uma.

O PT foi representado nestas reportagens com repercussão da crise política pelos governadores Camilo Santana, do Ceará (três vezes), e Wellington Dias, do Piauí (uma vez). O PDT foi ouvido pela voz do presidente do partido, Carlos Lupi, uma vez.

A Globo deve considerar que está dando voz aos principais campos políticos ouvindo os governadores de Estado, mas nem sempre eles são as vozes mais representativas de seus partidos, como no caso do PT.

Diferentes entidades foram ouvidas pela Globo nestas reportagens. Apenas uma, a Ordem dos Advogados do Brasil, presidida por Felipe Santa Cruz, foi ouvida nas cinco ocasiões.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), é voz frequente no JN, assim como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e também os governadores João Doria (PSDB-SP), Wilson Witzel (PSC-RJ), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Romeu Zema (Novo-MG).

Parlamentares do PT, partido que hoje tem a maior bancada na Câmara, não foram ouvidos em nenhuma destas cinco reportagens. O deputado Alessandro Molon (PSB) e a senadora Simone Tebet (MDB), com duas participações cada, são as figuras mais recorrentes nestas repercussões no Congresso.

Do Supremo Tribunal Federal, os entrevistados mais frequentes (duas vezes cada) nestas reportagens analisadas foram os ministros Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio Mello.

Perguntei à Globo se ela gostaria de comentar o tratamento diferenciado dado a FHC e Lula, entre outros políticos, mas a emissora não se manifestou.

Mauricio Stycer