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Escalada de violência contra jornalistas é muito preocupante

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/05/2020 14h26

Nos últimos 40 dias, ocorreram pelo menos três ataques físicos contra jornalistas trabalhando. Além de vários outros ataques verbais que buscam colocar em questão a credibilidade de profissionais e de veículos de imprensa. É um momento muito grave que a gente está vivendo.

No dia 10 de abril, uma mulher arrancou o microfone das mãos do repórter Renato Peters e gritou palavras contra a Globo. Naquela ocasião eu observei que o ataque não tinha sido apenas contra o repórter e contra a emissora, mas contra o jornalismo.

Em maio, já foram dois ataques, ambos em Brasília. No dia 3 de maio, o repórter fotográfico Dida Sampaio, de O Estado de S. Paulo, foi derrubado por duas vezes e chutado pelas costas, além de tomar um soco no estômago.

Neste domingo, 17 de maio, foi a vez da repórter Clarissa Oliveira, da Band, ser atacada por uma manifestante com uma bandeira.

Nas duas ocasiões, ocorriam manifestações a favor do presidente Bolsonaro. E os manifestantes não eram hostilizados por ninguém. Os jornalistas estavam no local apenas para registrar os fatos.

O número de agressões a jornalistas deu um salto em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas, foram 208 casos em 2019 contra 135 em 2018. Entre os 208 registros, 114 foram de "descredibilização" da imprensa e 94 de agressões diretas a profissionais.

Isso inclui ataques verbais. E o presidente é um dos principais protagonistas destas agressões verbais. São incontáveis os casos. Recentemente, gritou "cala boca" para repórteres que tentavam entrevistá-lo no Alvorada.

Na semana passada, o ministro da Educação, que também odeia a imprensa, entrou em conflito com a apresentadora Monalisa Perrone da CNN Brasil. Tentou afetar a sua credibilidade dizendo que ela não teria seguido um roteiro combinado por seu assessor.

Críticas a jornalistas e a veículos de mídia sempre ocorreram. Conflitos de governantes com a mídia sempre houve. Isso é normal numa democracia.

O que assusta atualmente é o tom e a repetição das críticas e ataques. A violência física é uma consequência deste clima. Isso não é apenas lamentável, mas é muito grave.

Mauricio Stycer