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Bastidores da saída de Gottino da Record e da sua volta oito meses depois

Após oito meses na CNN Brasil, Reinaldo Gottino volta à Record para comandar o Balanço Geral SP - Divulgação/Record TV
Após oito meses na CNN Brasil, Reinaldo Gottino volta à Record para comandar o Balanço Geral SP Imagem: Divulgação/Record TV
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

29/05/2020 18h58Atualizada em 30/05/2020 10h50

Para entender esta surpreendente volta de Reinaldo Gottino à Record apenas oito meses depois de deixar a emissora, vale a pena relembrar, acrescentando detalhes pouco conhecidos, como se deu a saída dele da emissora em setembro de 2019 e o que aconteceu de mais marcante no trabalho que desenvolveu no novo canal.

A contratação de Reinaldo Gottino pela CNN Brasil, em setembro de 2019, causou enorme surpresa nos bastidores da Record. Como relatou o jornalista Fabio Victor na edição de maio deste ano da "Piauí", Douglas Tavolaro fez um acordo com o bispo Edir Macedo ao deixar a vice-presidência da emissora, em dezembro de 2018, que incluía a promessa de não contratar nenhum apresentador da Record para o novo canal.

"Macedo aceitou bem a saída de Tavolaro, em consideração à sua lealdade durante quase duas décadas", escreve Victor. "O líder religioso encorajou o interlocutor a 'seguir seu caminho', mas fez três pedidos. Que Tavolaro esperasse quinze dias para anunciar sua saída, que sugerisse um sucessor (o indicado foi Antonio Guerreiro) e que a CNN não contratasse nenhum apresentador da Record. Tavolaro prometeu cumprir as três exigências", completa a "Piauí".

O rompimento deste acordo teria sido a causa da violenta reação da Record à contratação de Gottino pela CNN. O apresentador deixou a TV de Macedo em 18 de setembro de 2019. Quatro dias depois, o "Jornal da Record" fez uma longa reportagem com ataques à MRV, empresa de construção de Rubens Menin, o principal sócio do canal de notícias. Nos dias seguintes, outras duas reportagens miraram os negócios de Menin.

Em 30 de setembro, a MRV divulgou uma nota repudiando as reportagens da Record. "São uma represália de baixo nível da direção da emissora à contratação do apresentador Reinaldo Gottino pela CNN Brasil", disse a empresa. Os ataques cessaram.

A briga entre a Record e Menin por causa de Gottino teve o efeito de diminuir os rumores de que Macedo estaria envolvido, de alguma forma, na criação do novo canal.

Muita gente ouviu de Douglas Tavolaro, nos bastidores da CNN, que ele não considerava ter rompido o acordo que fez com Edir Macedo. Segundo esta versão da história, teria sido Gottino quem procurou o canal de notícias, dizendo-se insatisfeito na Record.

No dia em que a contratação de Gottino foi anunciada, o colunista Ricardo Feltrin escreveu no UOL: "Gottino, 42 anos, deixou a Record após ser mantido por meses em 'banho-maria' sem nenhum aviso se teria seu contrato renovado ou não."

Em todo o processo de lançamento do canal, Gottino foi tratado sempre como um dos principais apresentadores da CNN, ao lado de Monalisa Perrone e William Waack.

Coube a ele uma das funções mais espinhosas - a mediação do quadro "O Grande Debate". E foi justamente nesta função que ocorreu um incidente rumoroso. Dois dias depois do décimo episódio do quadro, num domingo (29 de março), a advogada criminalista Gabriela Prioli anunciou a sua saída da atração, e Gottino levou uma bronca pública da CNN.

"No episódio, Gottino, um profissional com larga história na TV, excedeu a postura de mediador", criticou a emissora em uma nota. Muito incomum, pela forma como foi feita, a reprimenda deixou no ar a impressão de que algo não ia bem na relação do apresentador com o comando do canal.

O apresentador também pediu desculpas em nota: "Me excedi ao interromper. O meu papel ali é conduzir o debate para que os dois lados tenham espaço para expor suas ideias. Minha postura excedeu a de mediador. Peço desculpas a Gabriela por isso. Esse pedido de desculpas, enviado a ela no início da manhã de domingo, se estende também à emissora e ao público".

Em nota, confirmando a saída do jornalista, nesta sexta-feira (29), a CNN disse sobre Gottino: "Em nossa redação, demonstrou a seriedade, a competência e a generosidade que são marcas de sua carreira".

Diante da dificuldade de compreender esta volta repentina à Record, selada na última quarta-feira (27), há muitas especulações sobre o tamanho da proposta recebida por Gottino em matéria de salário e valores de merchandising. Nos bastidores da CNN, fala-se que o jornalista recebeu uma proposta quatro vezes superior ao que estava ganhando no canal de notícias.

Procurado pela coluna, Gottino disse que não quer falar sobre valores. Limitou-se a dizer que "foi uma boa proposta de trabalho".

Em contato com a coluna, a Record nega que Gottino tenha voltado com um salário quatro vezes maior do que ganhava na CNN Brasil. Segundo a emissora, "ele voltou ganhando o mesmo salário que foi ofertado a ele ano passado", por ocasião de sua mudança para o canal de notícias.

Mauricio Stycer