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Jornalismo vira notícia com ameaças, denúncias, críticas e cancelamentos

O apresentador William Bonner diante do novo painel para notícias sobre a pandemia no JN - Reprodução
O apresentador William Bonner diante do novo painel para notícias sobre a pandemia no JN Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

31/05/2020 06h01

Maio de 2020 não foi um bom mês para o jornalismo brasileiro. Além de noticiar, virou notícia, infelizmente. Foram diferentes situações, envolvendo ameaças e tentativas de intimidação a profissionais, suspeitas sobre a lisura de um canal, o cancelamento de um telejornal e críticas pesadas do presidente Jair Bolsonaro a alguns veículos,.

Para quem não acompanhou todos os capítulos desta situação, segue um resumo dos principais acontecimentos recentes:

A divulgação do vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro na sexta-feira (22) trouxe vários comentários chocantes, e um deles envolveu a Band. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, fez uma observação dúbia sobre a emissora, dizendo que "o pessoal da Band queria dinheiro". Horas depois, Guimarães disse que não teve a intenção de "sugerir a prática de qualquer conduta irregular ou ilícita" da emissora.

No mesmo dia, o presidente Bolsonaro voltou a atacar a Globo, chamando a emissora de "TV Funerária", por causa da cobertura sobre a pandemia de coronavírus. E o apresentador William Bonner disse no "Jornal Nacional" que o mais importante na cobertura do telejornal são "as vidas".

No sábado (23), Silvio Santos telefonou para o departamento de jornalismo do SBT e mandou cancelar a edição do "SBT Brasil" daquela noite. Foi a primeira vez nos 15 anos do telejornal que ele não foi ao ar. A emissora nega que a decisão tenha ocorrido em resposta a uma reclamação do governo sobre a edição exibida na véspera. No domingo (24), o SBT exibiu duas vezes trechos da reunião ministerial sem explicar o que era.

Entre segunda (25) e terça-feira (26), quatro empresas de comunicação, incluindo UOL, Folha e Globo, anunciaram que iriam suspender temporariamente a cobertura que fazem na entrada do Palácio do Alvorada, em Brasília. A hostilidade cada vez maior de apoiadores de Bolsonaro e a falta de segurança para o trabalho dos jornalistas foram as justificativas para a decisão. O governo respondeu que criou as "melhores condições possíveis" para o trabalho da imprensa.

Também na terça, a Globo informou que o apresentador William Bonner está sendo alvo de intimidação. Tanto o apresentador quanto uma de suas filhas receberam mensagens contendo uma lista de endereços relacionados a ele e números de CPFs do jornalista, de sua mulher, seus filhos, pai, mãe e irmãos.

Na madrugada de quarta (27), em entrevista ao "Conversa com Bial", Bonner falou: "Eu ainda me assusto com a bile, com o ódio que escorre nas palavras, nas palavras mal escritas, nas palavras cuspidas. É um ódio tão intenso que a gente não sabe onde levará. E aí a gente vai para as ruas e assiste a esta mesma incivilidade".

Tristes dias.

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Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

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