Topo

Mauricio Stycer

Na pandemia, "Conversa" se adapta, fica mais leve e vira "Papo com Bial"

Colunista do UOL

01/06/2020 16h21

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

A pandemia do coronavírus atrasou um pouco a volta do talk show de Pedro Bial no fim das noites da Globo. A emissora talvez tenha demorado a entender como retomar o programa de forma segura. Sem plateia, sem banda, com pouca gente exposta. A solução, no ar desde 18 de maio, tem-se mostrado muito interessante. O "Conversa com Bial" está com cara mais de "Papo com Bial". Houve uma alteração bastante drástica no formato do programa, que afetou claramente o seu conteúdo.

O "Conversa com Bial" se destacou desde a estreia, em maio de 2017, por deixar o humor em segundo plano e apostar em entrevistas sérias e, às vezes, densas.

Frequentemente, o talk show da Globo girou em torno não de um convidado, mas de temas, com a presença de entrevistados com diferentes visões. Eram momentos em que a conversa virava um debate com Bial.

Mesmo mantendo duas características obrigatórias do formato — plateia e banda musical —, escrevi na época que foi uma opção arriscada. Uma lei não escrita diz que o espectador espera por assuntos leves e engraçados no início da madrugada.

Esse diferencial do "Conversa" foi deixado de lado, ao menos momentaneamente, na nova fase. Gravado em casa, Bial tem feito entrevistas mais informais, intimistas e leves. E mais curtas. O que também é importante.

Os 70 anos da televisão no Brasil serviram de pretexto nestas primeiras duas semanas para uma série de papos muito bons com Gloria Maria, Lima Duarte, Daniel Filho, Xuxa e, em especial, William Bonner.

Nesta fase de Papo com Bial, o programa ficou mais convencional, mais parecido com outros, menos original. Não acho que seja uma mudança definitiva. Mas tem sido uma solução agradável para o momento.

A lamentar, apenas, que continue indo ao ar muito tarde, depois da 1h da manhã.