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Record minimiza e RedeTV! ignora falta de transparência em dados da covid

O apresentador do "Jornal da Record", Sergio Aguiar, noticia os dados oficiais sobre a pandemia de covid-19 nesta segunda (08) - Reprodução
O apresentador do "Jornal da Record", Sergio Aguiar, noticia os dados oficiais sobre a pandemia de covid-19 nesta segunda (08) Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

08/06/2020 23h21

Como se tornou prática na cobertura de assuntos críticos ao governo Bolsonaro, os principais canais de TV aberta deram tratamento muito diferente nesta segunda-feira (08) ao esforço oficial de maquiar os números sobre a covid-19 no país.

A Globo tratou do tema de forma extensiva e crítica com dez reportagens ao longo de 28 minutos. A Band dedicou um comentário irônico ao presidente Jair Bolsonaro. O SBT abriu o seu telejornal com o assunto, enquanto a Record deixou para falar da "confusão" na penúltima reportagem do seu noticiário. A RedeTV! simplesmente ignorou a notícia mais importante do dia.

William Bonner e Renata Vasconcellos lamentaram "as dificuldades adicionais ao cidadão brasileiro" causadas pelas mudanças na divulgação oficial dos números sobre a covid. O "Jornal Nacional" destacou a criação do consórcio de veículos de comunicação, integrado por UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra para a apuração independente dos dados.

O telejornal explicou detidamente o que o governo está fazendo, ouviu especialistas de diferentes áreas sobre as implicações desta mudança e a péssima repercussão em diferentes ambientes políticos e científicos, além da mídia estrangeira.

No "Jornal da Band", após apresentar uma reportagem sobre a falta de transparência do governo, o apresentador Eduardo Oinegue ironizou a situação: "O presidente já criticou o IBGE, quando os dados de desemprego não apontavam para onde ele queria. Ele implicou com o INPE, que divulga os dados de queimada, quando pegou fogo na Amazônia. E agora decidiu brigar de novo com as estatísticas no caso da covid-19. Quebrar o termômetro não adianta, porque o desemprego, o fogo e o vírus não dão a mínima para os números oficiais."

No "SBT Brasil", o caso foi o principal destaque da abertura: "A OMS pede transparência sobre os dados da pandemia no Brasil", leu o apresentador Marcelo Torres. O telejornal registrou as críticas dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, além da iniciativa de parlamentares da Rede junto ao STF para tentar reverter a decisão do Ministério da Saúde.

O "Jornal da Record" tratou do tema de forma confusa. Numa reportagem em que mostrou Bolsonaro comentando as manifestações que ocorreram no domingo, o repórter Thiago Nolasco incluiu a informação que o presidente "aproveitou para criticar também a OMS, que nesta segunda-feira pediu mais transparência do governo brasileiro nos dados sobre a pandemia de coronavírus".

A explicação para o comentário só veio 41 minutos depois, numa reportagem de menos de dois minutos, que tratou da "confusão com os números", como disse a apresentadora Adriana Araujo. Para tranquilidade geral, a repórter Livia Veiga avisou: "O ministério informou que está trabalhando para melhorar os meios de divulgação dos dados da pandemia, com números mais precisos. E que uma nova plataforma vai ser lançada ainda esta semana."

O RedeTV! News não encontrou espaço nos 47 minutos em que esteve no ar para tratar do assunto.

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