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Adriana Araújo é substituída no Jornal da Record sem aviso nem despedida

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

22/06/2020 21h24

A Record procurou transmitir um ar de normalidade a uma situação pouco comum: a troca de apresentadoras do seu principal telejornal. Nem a saída de Adriana Araújo nem a chegada de Christina Lemos foram objeto de qualquer referência durante o próprio noticiário.

Apresentadora do "Jornal da Record" por mais de uma década (entre 2006 e 2009 e de 2013 a 2020), Adriana Araújo esteve à frente do telejornal pela última vez na quinta-feira (18). Não teve direito a uma despedida ou a um aviso ao público sobre a sua saída.

Nesta segunda-feira (22), a repórter Christina Lemos, radicada em Brasília, assumiu a bancada do principal telejornal da emissora, em substituição a Adriana. Também não houve, durante o "Jornal da Record", qualquer comunicação aos espectadores sobre a sua estreia nem sobre a saída de Adriana. Apenas Lidiane Shayuri, ao apresentar a meteorologia, deu boas-vindas a Christina.

Na véspera, em reportagem no "Domingo Espetacular" (21) que informou sobre a sua estreia, Christina Lemos classificou o novo trabalho como "uma missão". E disse: "Eu vou encontrar a melhor força que eu tiver, a melhor capacidade de comunicação que eu tiver, para fazer jus a esta honra". O programa dominical resumiu em uma frase a saída de Adriana do "Jornal da Record".

Após ter apresentado o "Jornal da Record" pela última vez, Adriana escreveu em seu perfil no Instagram: "A todos que se preocupam comigo, fiquem tranquilos. Estou bem e serena. Que bons ventos me levem." A jornalista será apresentadora da próxima temporada do "Repórter Record Investigação", ainda sem data de estreia prevista.

A saída de Adriana ocorreu em um momento delicado, no qual o telejornalismo da Record tem assumido posições coincidentes com as do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Um sinal deste alinhamento foi explicitado há dez dias. Numa entrevista, o vice-presidente de jornalismo da emissora, Antônio Guerreiro, criticou concorrentes, sem citar nomes, dizendo ter enxergado na cobertura da pandemia de coronavírus "uma narrativa dominante de um alarmismo absurdo".

E acrescentou: "Nós não podemos deixar de levar a esperança. Somos uma emissora de TV aberta, somos uma concessão pública, nós temos presença no território brasileiro inteiro, nós temos que mostrar, sim, que há esperança".

Em um recente vídeo promocional do seu jornalismo, a Record diz: "As más notícias a gente informa. As boas notícias a gente não esconde".

No início de junho, Adriana Araújo fez críticas ao atraso e à falta de transparência na divulgação dos dados da pandemia do novo coronavírus pelo governo brasileiro. "É uma questão de saúde pública saber o que está acontecendo no Brasil agora. É muito importante para todos nós", disse Adriana.

Ela explicou em seu perfil no Instagram que fez o post porque os números só foram divulgados após o Jornal da Record.

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