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Indefinido, Encontro com Fátima faz 8 anos "se modificando, se modificando"

Fátima Bernardes entra em clima de São João - Reprodução/Instagram
Fátima Bernardes entra em clima de São João Imagem: Reprodução/Instagram
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/06/2020 12h48

No ar desde 25 de junho de 2012, o "Encontro com Fátima Bernardes" é um caso bem-sucedido de alteração radical de grade da Globo. Com exceção de um ou outro saudosista, ninguém mais se lembra que a emissora exibia neste horário desenhos animados destinados ao público infantil.

O "TV Globinho" ainda ficou no ar aos sábados até agosto de 2015, mas a mudança estabelecida pelo programa de Fátima alterou o perfil do público da emissora nesta faixa matinal. Tão importante quanto, colocou a jornalista, apresentadora do "Jornal Nacional" por 14 anos, em outro patamar.

Fátima não foi a primeira profissional da Globo a trocar o jornalismo pelo entretenimento, mas se tornou a principal referência neste movimento. Basta contar quantas vezes o seu programa foi cenário de cenas de novelas nestes anos - ir na Fátima é sinônimo de status para personagens da ficção.

Neste oito anos, o programa e a apresentadora já passaram por muitas transformações. O desejo desenfreado de chamar a atenção e virar meme, felizmente, já foi superado. Fátima não precisa mais fazer pole dance no palco nem se submeter a micos e constrangimentos variados para emplacar notinhas em todos os sites.

Cada vez mais à vontade, a apresentadora também já dividiu com o público a sua vida pessoal e se tornou personagem do próprio programa - um caminho inevitável no entretenimento.

Em momentos de graves acontecimentos, como o incêndio na boate Kiss ou a morte de Marielle Franco, por exemplo, a jornalista ressurge e Fátima se mostra sintonizada e aguerrida na apresentação de notícias e no questionamento aos entrevistados. Já quando é preciso divulgar alguma nova atração da casa, o que ocorre com exagerada frequência, Fátima vira uma apresentadora de "Vídeo Show".

O "Encontro" é um programa agradável de ver, mas raramente surpreende - talvez seja essa mesmo a intenção do matinal. Tenho dúvidas se a Globo sabe o que quer com a atração.

Nesta quinta-feira (25), ao comemorar os oito anos, Fátima fez uma observação curiosa sobre a falta de identidade do programa. Após a exibição de um clipe com momentos passados, ela disse:

"Muito bom rever tanta coisa. A gente fica feliz de ver. Isso eu tenho que dizer. Desde o primeiro programa, ele vai se modificando, se modificando...E só é possível porque você está aí, prestigia a gente com a sua audiência, sua companhia, todos os dias".

"Encontro com Fátima Bernardes" já mudou de diretor algumas vezes e, desde 2019, está subordinado a Mariano Boni, um outro profissional do jornalismo que migrou para o entretenimento.

A pandemia de coronavírus tirou a atração do ar por um tempo e ela voltou há algumas semanas sem plateia e sem sofá (os convidados do dia dão entrevistas remotamente). Tenho a impressão que não mudou nada.

Mauricio Stycer