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Bolsonaro privilegia Record e CNN ao anunciar que está com covid-19

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

07/07/2020 12h52

O presidente Jair Bolsonaro tornou público que contraiu a covid-19 em entrevista ao vivo a três emissoras de televisão na manhã desta terça-feira (07). Além da TV Brasil, pública, ele falou também com a Record e a CNN Brasil.

Por se tratar de um assunto de interesse nacional, seria de esperar que esta comunicação fosse feita da forma mais ampla e pública possível.

Os jornalistas estavam de plantão no "cercadinho" do Alvorada, onde Bolsonaro eventualmente fala com a imprensa, e foram chamados para o interior do palácio, onde ocorreu a entrevista.

Também chamou a atenção a proximidade física dos três repórteres que entrevistaram Bolsonaro. Mesmo usando máscaras, todos foram expostos a uma situação de risco.

No final da entrevista, o presidente se afastou um pouco, tirou a máscara e falou mais algumas palavras para as três emissoras - outra situação que colocou os profissionais em risco.

Encerrada esta restrita entrevista, o presidente ainda falou com o repórter Leandro Magalhães, da CNN, por mais alguns minutos.

Sindicato critica forma de divulgação da notícia

O Sindicato dos Jornalistas do DF oficiou as empresas de comunicação para "suspenderem já a cobertura presencial" no Palácio do Planalto.

"Imagens e denúncias que chegaram ao SJPDF comprovam que o presidente da República, positivo para a covid-19, colocou em risco os jornalistas e as equipes ao fazer o anúncio. Por que o presidente não solicitou que um médico o fizesse?"

O sindicato também solicita que as empresas "testem e afastem todos os profissionais que estiveram expostos, nos últimos 10 dias, às coberturas que tiveram contato com o presidente da República e quaisquer membros do Executivo."

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