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TV paga: Cresce o número de "cortadores de cabo" nos EUA e no Brasil

O número de assinantes de TV a cabo está em queda nos EUA e no Brasil - Valter Campanato/Agência Brasil
O número de assinantes de TV a cabo está em queda nos EUA e no Brasil Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

26/07/2020 06h01

Nos Estados Unidos eles são chamados de "cord cutters", ou cortadores de cabo. O termo foi criado para designar os assinantes de TV a cabo que cancelaram os seus pacotes e os trocaram por serviços de streaming.

Há mais de uma década registra-se a queda no número de assinantes do cabo nos EUA e o aumento dos usuários de serviços como Netflix e similares. As curvas do gráfico que mostram o desempenho de ambos estão perto de cruzar, mostrou esta semana a "Variety", mais importante publicação do mercado audiovisual americano.

Agora em 2020, levando em conta os números das 12 maiores operadoras de TV a cabo nos EUA, há 77,5 milhões de assinantes. Já a Netflix, registra 69,9 milhões de assinantes no país.

O "corte do cabo", escreve a "Variety", antes desprezado pelas empresas, "tornou-se uma ameaça real". Um estudo realizado no ano passado pela empresa eMarketer prevê que esse número continue em queda.

"Acho que em 10 anos haverá uma troca total de guarda", diz na reportagem Chris Long, ex-chefe de programação da DirecTV / AT & T Audience Network, que agora é produtor. "Em algum momento, as pessoas tomarão essa decisão: 'eu posso obter tudo o que quero [no streaming]. Não preciso mais ter 180 canais dos quais assisto apenas 12'."

No Brasil, a situação é igualmente dramática para a indústria da TV por assinatura. Os números de assinantes deste tipo de serviço estão em queda desde 2015.

No total, ainda há 15,3 milhões de assinantes de TV paga no país. Esse número, aposta-se, ficará abaixo dos 15 milhões até o início de 2021. Desde o final de 2014 houve uma sangria de 25% dos clientes. Isso se acentuou após a Copa do Mundo no Brasil, quando o país beirou os 20 milhões de assinantes.

A crise econômica e o aumento do desemprego são sempre apontados como a causa principal. Mas parece claro que a oferta dos serviços de streaming, por um preço muito mais conta, seduz os consumidores.

O Ibope dos serviços de streaming já superou o das TVs por assinatura. A Netflix admite que já tem mais de 10 milhões de assinantes no Brasil. A Globoplay, que tem feito muito investimento, não revela os seus números - a grande maioria dos usuários é de não-assinantes, mas estima-se que tenha entre 1 e 3 milhões de assinantes.

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Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

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