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Repórter documenta a batalha para dar um novo lar ao ex-goleiro Manga

Manga com os goleiros do Botafogo durante a gravação do documentário para a ESPN Brasil - Divulgação/Botafogo
Manga com os goleiros do Botafogo durante a gravação do documentário para a ESPN Brasil Imagem: Divulgação/Botafogo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

03/09/2020 06h01

O jornalista Marcelo Gomes embarcou para Quito em março com o objetivo de fazer uma reportagem sobre a situação de Manga, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, então vivendo com dificuldades financeiras no Equador. Voltou de lá com um documentário emocionante, que mostra a bem-sucedida batalha para conseguir um lar para o ex-atleta e sua mulher no Retiro dos Artistas, no Rio.

Esta é, em síntese, a incrível história contada em "A Última Cartada de Manga", disponível no ESPN App a partir desta quinta-feira (3) e com estreia na ESPN Brasil no sábado (5), às 23h.

Nascido no Recife em 26 de abril de 1937, hoje com 83 anos, Manga fez uma carreira de muito sucesso, sobretudo entre os anos 1960 e 1970, no Botafogo, Nacional (Uruguai) e Internacional, além de seleção brasileira (Copa de 1966). Também jogou no Sport, Operário, Curitiba e Grêmio, até encerrar a carreira, em 1982, aos 45 anos, no Barcelona de Guayaquil.

No dia do seu aniversário, não por acaso, é comemorado no Brasil o Dia do Goleiro.

Aposentado, permaneceu no Equador com a segunda mulher, Maria Cecília. Em situação precária, no ano passado, precisou ser submetido a uma cirurgia de próstata. Foi ajudado pelo cônsul do Uruguai em Quito e torcedores do Nacional, que financiaram o seu translado para Montevidéu, onde foi operado.

Gomes havia visto uma entrevista de Manga à turma do Museu da Pelada, realizada no Uruguai. Na conversa, o ex-goleiro manifestava o desejo de assistir a uma partida do Botafogo, no Rio. Foi este o ponto de partida para a sua reportagem.

Vivendo numa casa modesta em San Antonio de Pichincha, perto de Quito, Manga recebeu Gomes e o câmera Fabio Lonardi no dia 10 de março. No meio da entrevista, chorando, disse que desejava voltar a morar no Rio.

O repórter, então, teve a ideia de pedir ajuda ao Retiro dos Artistas, onde ele havia estado em 2019 para fazer uma reportagem sobre o jornalista Sergio Noronha (1932-2020). Presidente da instituição, o botafoguense Stephan Nercessian aprovou a ideia, que implicou até em uma mudança no estatuto.

Gomes se envolveu tanto com o personagem do documentário que ajudou, até, na campanha de arrecadação de R$ 20 mil para a reforma da casa destinada a Manga no Retiro dos Artistas.

O documentário acompanha a ida do ex-goleiro ao Engenhão, onde assistiu a um treino do Botafogo, o seu reencontro com um filho, que não via havia mais de três décadas, e o momento em que é informado que poderá viver em uma casa na tradicional instituição que acolhe artistas solitários e com dificuldades financeiras.

Na abertura do documentário, aparece a seguinte frase: "A história que veremos a seguir é uma prova de como o jornalismo pode ir além da notícia, transformando a vida de seus personagens para melhor".

"Tenho 30 anos de profissão", diz Gomes, que tem uma deficiência visual severa. "A gente tem que se envolver para ajudar, quando for possível. Espero que esse documentário inspire outros jornalistas".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL