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Eliana manda recado a Silvio Santos e pede programa noturno no SBT

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

05/09/2020 06h00

Na ótima entrevista que Eliana concedeu a Otaviano Costa, exibida no "OtaLab" desta semana, muitos espectadores ficaram com a impressão de que a apresentadora do SBT aproveitou a ocasião para mandar alguns recados a Silvio Santos e a outras figuras da emissora.

O mais explícito ocorreu em resposta a uma fã, que perguntou se ela não gostaria de encarar novos desafios profissionais, "como um programa noturno". Eliana já havia falado a respeito no passado, mas nunca com tanta firmeza quanto esta semana. Disse ela, pausadamente, medindo as palavras (a partir de 1:40.05 no vídeo acima):

"Quem me conhece sabe que eu não fujo dos desafios. Eu me adapto muito bem a eles. Amo fazer programa aos domingos. Mas, se o destino me colocar a possibilidade de falar com meu público num novo horário, falar de assuntos de forma mais contundente, assuntos mais polêmicos...", respondeu inicialmente.

Neste ponto, Eliana interrompeu o raciocínio para registrar que já trata de temas mais sérios em seu programa dominical. "Porque como mulher eu não posso ficar fora de assuntos como violência doméstica, abuso, racismo. A gente sempre dá uma pincelada dentro do programa aos domingos e leva para as redes sociais com mais tempo".

E concluiu, falando do seu interesse em, quem sabe um dia, ser uma sucessora de Hebe Camargo (1929-2012): "Um programa à noite me possibilitaria mostrar ainda mais essa mulher que veio crescendo aos olhos do público desde que tinha meus 11 anos e hoje tem 40 e poucos (46, na realidade). Sim, eu aceitaria esse desafio, sim".

No final da entrevista, Otaviano falou do marido de Eliana, o diretor Adriano Ricco, provocando uma reação inesperada, e que o surpreendeu:

Otaviano: Meu amigo Adriano Ricco, que foi meu diretor no programa 'Tá Brincando', na Globo, um cara incrível... Que homem você arranjou, que parceirão de vida você arranjou. Parabéns.
Eliana: Peraí! E olha a mulher que ele arranjou também.
Otaviano: Sim, você tem toda razão. Vocês são incríveis juntos.

Também não foi a primeira vez que Eliana agradeceu à Record por ter permitido que deixasse de ser uma apresentadora infantil, colocando-a à frente do "Tudo É Possível". Desta vez, ela realçou o papel do público na escolha do horário da atração.

"Foi lá que fiz a transição do infantil pro adulto. A princípio era um programa noturno, mas pesquisas indicaram que a apresentadora Eliana deveria fazer um dominical. Quem me colocou aos domingos foi o público. Fico muito feliz em ter tido a Record ao meu lado neste momento, em que eles entenderam que o público é que ia direcionar. E assim foi."

Após sete anos no SBT (1991-97) e 11 na Record (1998-2009), Eliana voltou ao SBT em 2009. Ao falar destes últimos 11 anos, a apresentadora deu a impressão de que estava se despedindo da emissora: "Foi uma honra muito grande ter podido mostrar o meu trabalho. Ter podido ter um olhar feminino no programa de auditório foi realmente muito especial". Ao concluir esta última frase, ela se corrigiu e disse: "E está sendo".

No final da entrevista, também respondendo a um fã, Eliana falou de sua estreia na TV, como apresentadora do "Festolândia". O programa foi cancelado após três meses e Silvio Santos a mandou embora, dizendo que pagaria tudo que lhe devia até o fim do contrato de um ano.

A apresentadora, então, se ofereceu para apresentar desenhos animados, uma posição inferior à de apresentadora de programa infantil. Silvio aceitou, disse ela, permitindo que desse prosseguimento à carreira. "Muitas vezes na vida, a gente precisa recuar para depois dar dois passos à frente no futuro", foi a lição que tirou do episódio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL