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Assim como "Deus Salve o Rei", novelas que deram dor de cabeça à Globo

Globo/Montagem UOL
Novelas já audiência, mas também muita dor de cabeça Imagem: Globo/Montagem UOL

Do UOL, em São Paulo

04/04/2018 04h00

A novela "Deus Salve o Rei" passa por momentos de turbulência. A trama das 19h, que já passou por alterações, agora terá novas mudanças. Segundo o site Notícias da TV, o autor Ricardo Linhares foi chamado para reforçar a equipe de roteiristas, fazendo a supervisão de texto.

A Globo estaria preocupada com os índices instáveis da novela, que já marca três pontos a menos que sua antecessora na audiência. Porém, essa está longe de ser a primeira vez que uma novela da Globo precisou passar por mudanças por conta da recepção do público.

De novos autores a personagens cortados, as tramas globais já passaram por alguns baques. O UOL lista alguns folhetins que deram dor de cabeça para a emissora.

  • João Miguel Júnior/Globo

    "Esperança" (2002)

    Novela de Benedito Ruy Barbosa, a trama de época buscava entrar no embalo do sucesso de "Terra Nostra" (1999). Entretanto, o plano não deu muito certo e a história causou estranhamento logo no começo por conta de semelhanças com a novela que a inspirou.

    A situação ficou pior quando os capítulos começaram a atrasar, e o autor acabou deixando a novela, que passou para as mãos de Walcyr Carrasco. Walcyr fez várias mudanças no texto e conseguiu aumentar a audiência, mas Benedito não gostou nada do resultado e criticou publicamente o escritor que o substituiu.

    "Quando ele [Carrasco] assumiu a novela, deixei de assistir. Se visse, queria bater nele. Na época, liguei para o [então diretor artístico da Globo] Mário Lucio Vaz. 'Olha, Mário, avisa ao Walcyr que, quando eu encontrar com ele, eu vou dar porrada, entendeu?' Ele simplesmente acabou com a minha novela", declarou Benedito em depoimento ao livro "A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo".

  • Reprodução/TV Globo

    "A Regra do Jogo" (2015)

    Uma grande expectativa rondava a estreia de "A Regra do Jogo", primeiro trabalho de João Emanuel Carneiro após o sucesso de "Avenida Brasil". Não aconteceu. Em grupos de discussão, identificou-se que o público torceu o nariz para a violência na novela.

    A situação chegou a tal ponto, que o diretor de teledramaturgia da Globo, Silvio de Abreu, pediu que fossem realizadas mudanças nos rumos da trama. Uma das que chamou a atenção foi a transformação no perfil do vilão Orlando (Du Moscovis). Originalmente, ele teria um segredo: era homossexual. Mas, com o revés, o segredo foi alterado para o fato de Orlando ter uma ex-mulher, Lara (Carolina Dieckmann).

    Conforme destacou Mauricio Stycer, colunista do UOL, à época, ficou claro que o autor não engoliu as mudanças. Leia mais

  • Reprodução/TV Globo

    "O Dono do Mundo" (1991)

    Parte de uma trilogia na qual o autor Gilberto Braga buscava discutir a moralidade no Brasil, "O Dono do Mundo" provocou rejeição logo de cara. O público não gostou da forma como o cirurgião plástico Felipe Barreto (Antônio Fagundes) apostou com um colega que tiraria a virgindade da noiva de um de seus funcionários, vivida por Malu Mader, antes do marido. Pior: os espectadores fugiram para a concorrência --na época o SBT a exibia a novelinha "Carrossel", um grande sucesso.

    A trama então passou por uma série de reformulações baseadas nas pesquisas de opinião que a emissora encomendou, que identificaram que o público não engolia nem o vilão, nem a protagonista da história, interpretada por Malu Mader. Em entrevista ao Viva, Antônio Fagundes falou sobre as mudanças, e revelou que o autor, no final da novela, resolveu desfazer a redenção do vilão Felipe Barreto, por julgar que aquilo não era coerente com o personagem.

  • Memória Globo/Globo

    "Torre de Babel" (1998)

    A novela de Silvio de Abreu estreou recheada de temas polêmicos. Entretanto, os espectadores não reagiram bem e fugiram da trama. Para tentar recuperar a audiência, o autor mexeu bastante no texto da novela.

    Em determinado momento da novela, uma explosão ocorreu em um shopping que era um dos principais cenários. Nessa tragédia, ocorreu uma das ações mais polêmicas da novela: a morte de personagens que haviam sido apontados como rejeitados pelo público, como Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer), que formavam um casal.

  • Fabrício Mota/TV Globo

    "Eterna Magia" (2007)

    Primeira novela solo de Elizabeth Jhin, "Eterna Magia" não chegou a ir mal de audiência, entretanto, os espectadores não gostaram da abordagem sobre bruxaria na trama, que falava sobre religiões místicas.

    Alterações foram realizadas e a feitiçaria foi perdendo espaço, o que fez com que a novela ganhasse fôlego no ibope.

  • Alex Carvalho/Globo

    "Babilônia" (2015)

    Esperada como a novela que comemoraria os 50 anos da Globo, "Babilônia" reuniu um elenco de estrelas da casa, encabeçado por Fernanda Montenegro, Nathalia Thimberg, Glória Pires e Adriana Esteves. A trama de Gilberto Braga acabou resultando num dos projetos mais desastrosos da emissora e enfrentou rejeições do início ao fim, como ao casal formado por Montenegro e Thimberg e à mocinha vivida por Camila Pitanga.

    Chegou a ser noticiado que Silvio de Abreu, diretor do núcleo de novelas, assumiu a função de reescrever alguns capítulos. Entretanto, os novos rumos só deixaram a novela mais confusa e desconexa, e de nada adiantaram, uma vez que a audiência continuou fraca. Terminou sua trajetória como a novela das 21h de pior audiência da história da emissora.

  • Reprodução/TV Globo

    "A Lei do Amor" (2016)

    "A Lei do Amor" começou com uma primeira fase insossa que pouco animou o público. Mesmo com uma nova fase e novas atores, a audiência da novela continuou em baixa, e a trama ainda que lidar com constantes críticas a seu roteiro.

    Entre os vários tropeços, foi difícil se empolgar com o casal de protagonistas Helô (Claudia Abreu) e Pedro (Reynaldo Gianecchini), mesmo com todos os clichês usados em abundância para adiar o previsível final feliz, como o fato de ela flagrá-lo na cama com outra duas vezes e de o velejador descobrir que tinha duas filhas somente anos depois.

    Os autores até tentaram enxugar o número de atores no elenco -- considerado muito numeroso -- e mudaram alguns detalhes das subtramas, mas não foi suficiente para fazer o folhetim pegar, e a novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari ficou com o nada honroso segundo pior lugar em audiência no horário das nove.