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De sexo realista a nudez sem censura: quatro inovações de "Girls" na TV

Divulgação/HBO
Riz Ahmed e Lena Dunham em cena da sexta temporada de "Girls" Imagem: Divulgação/HBO

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

12/02/2017 04h00

Após cinco temporadas recheadas dos dramas pessoais de quatro amigas nova-iorquinas em seus vinte  e poucos, “Girls” começa a se despedir do público neste domingo (12), quando vai ao ar sua sexta e última temporada na HBO.

Criada e protagonizada por Lena Dunham, a série iniciada em 2012 pode nunca ter atingido os números de “Game of Thrones”, principal produto da casa, mas conquistou seu lugar na cultura pop. Dos relacionamentos pouco convencionais das personagens ao uso nem um pouco puritano da nudez e seu humor ácido, “Girls” foi tema de milhares de reportagens, artigos e, claro, textões e debates nas redes sociais.

E todos os elementos que tornaram a série única estão no primeiro episódio da nova temporada, dirigido por Dunham. Sexo desconfortável? Tem. Relacionamentos complicados envolvendo amigos e namorados/ex-namorados? Também. Nudez? De sobra -- e com referências ao noticiário atual, como uma certa prática tornada famosa pela atriz Shailene Woodley, protagonista de “Divergente”.  

Mas a estreia também já dá indícios de um amadurecimento do quarteto, principalmente Hannah, que ganha maior tempo em cena e vê sua carreira de escritora finalmente deslanchar. Ela publica um texto sobre o namoro de Adam (Adam Driver) e Jessa (Jemima Kirke) na coluna “Modern Love”, do “New York Times”, e é contratada para escrever uma reportagem sobre um acampamento de surfe para ricaças no litoral de Nova York.

É lá que Hannah tem suas melhores cenas. Ela tenta fugir das aulas, mas acaba se envolvendo com um instrutor de surfe bonitão, interpretado por Riz Ahmed (da minissérie “The Night Of”). Longe do seu habitat, ela tem uma espécie de epifania e começa a se perguntar por que veio já com a intenção de odiar aquilo. “Todos os meus amigos em Nova York se definem por aquilo que eles odeiam”, diz. Em uma trama que já foi muito criticada pela imaturidade e pelo narcisismo exacerbado da trupe formada por Hannah, Jessa, Marnie (Allison William) e Shoshanna (Zosia Mamet), é uma evolução bem-vinda.

Quaisquer que sejam o desfecho das histórias das garotas, uma coisa é certa: “Girls” mudou a cara da TV. Veja abaixo as inovações da série, que vai ao ar à 1h de domingo para segunda-feira na HBO (a partir do dia 19, ela vai ao ar à meia-noite). 

  • Imagem: Divulgação
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    Foco nos millenials

    A série trouxe um retrato de uma geração até então ignorada na TV: os millenials. Se ela é fiel à realidade ou não, há controvérsias: o fato de as protagonistas quase não terem problemas financeiros e morarem sozinhas no Brooklyn, bairro "da moda" de Nova York, tem sido criticado desde a primeira temporada pela pouca verossimilhança. A dificuldade que as amigas enfrentam na carreira, porém, tem bastante em comum com a realidade, que não está sendo nada fácil com os jovens americanos que entraram no mercado de trabalho depois da crise de 2008. Espécie de antítese do quarteto de "Sex and the City", elas sobrevivem de bicos e, em vez de taças de Cosmopolitans, experimentam drogas em festas bizarras

  • Imagem: Reprodução
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    Sexo sem filtro

    Esqueça aquelas cenas apenas com silhuetas, uma música sensual ao fundo e ângulos que só mostram o lado mais favorável dos atores. Em "Girls", o sexo é o sexo da vida real, que às vezes é estranho, desconfortável, ruim -- e com complicações emocionais. Um prenúncio do que o público poderia esperar veio logo no primeiro episódio da série, com uma cena na qual Adam e Hannah transam no sofá, sem nenhum glamour

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    Nudez sem censura

    Desde seu início, "Girls" não teve vergonha de exibir cenas de nudez, tanto feminina quanto masculina. E, nesse quesito, o roteiro de Lena Dunham foi beneficiado pelo fato de a HBO ser um canal pago, que tem mais liberdade do que os abertos. Mas o maior diferencial é que a nudez da série não é só de gente que poderia estar desfilando em uma passarela de moda: há gordurinhas, flacidez e peitos caídos, coisas que a maior parte dos programas passa longe

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    Atores gente como a gente

    Olhe para a maior parte dos sucessos da TV: os atores, principalmente os protagonistas, geralmente são belos, jovens e de físico atlético. Mas "Girls" rompeu com isso ao trazer uma protagonista que não tem o padrão vigente em Hollywood e um leque de coadjuvantes que são bem comuns. Em entrevista recente, a diretora de elenco da série disse que era muito difícil emplacar Adam Driver em outras produções, já que ele não tinha uma beleza convencional. O ator, que interpretou Kylo Ren na saga ?Star Wars", foi elogiado recentemente por sua atuação no filme "Paterson", exibido em Cannes em 2016

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