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Eliana, Lívia Andrade e Maisa: as lições de 5 mulheres empoderadoras do SBT

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Eliana, Lívia Andrade e Maisa, três estrelas empoderadoras do SBT Imagem: Montagem/UOL/Reprodução/Instagram/eliana/liviaandradereal/maisa

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

28/11/2018 04h00

O episódio entre Silvio Santos e Claudia Leitte durante o Teleton colocou o SBT no centro de uma discussão sobre machismo. O comentário do dono da emissora, dizendo que não abraçaria a cantora porque ficaria excitado, provocou reações acaloradas de artistas e personalidades --seja reclamando publicamente do apresentador ou em sua defesa, como fizeram a família Abravanel e contratados da casa.

O caso, e mais recentemente o resgate de um slogan da ditadura militar para exaltar o patriotismo, fizeram muita gente acusar a emissora de uma "guinada conservadora". Mas é preciso lembrar que o SBT tem no seu elenco artistas que fazem questão de empoderar as mulheres e se posicionar contra o machismo e a homofobia, entre outras formas de discriminação.

Eliana, Lívia Andrade, Maisa Silva e a psicóloga Anahy D'Amico, do "Casos de Família", preservam o legado de Hebe Camargo (1929-2012), uma das primeiras mulheres empoderadas da TV. 

  • Reprodução/SBT

    Maisa Silva

    Aos 16 anos, Maisa é a principal artista do SBT nas redes sociais, onde influencia milhões de adolescentes. A artista já se mostrou madura o suficiente para lidar com situações de assédio, como quando Silvio Santos tentou formar casal entre ela e Dudu Camargo.

    "Não estou aqui pra arrumar namorado, estou aqui pra participar do programa. Dá licença, Silvio, pelo amor de Deus. Isso é um ultraje, isso é constrangedor, você me submeter a uma situação dessa", reclamou. Ou quando um seguidor comentou em uma foto dela de biquíni: "A cadeia não deve ser tão ruim assim". Ela rebateu: "Tomara que você apodreça lá. Nojento".

  • Reprodução/SBT

    Eliana

    Primeira mulher a quebrar o monopólio masculino nos domingos do SBT, Eliana tem sido uma importante voz para empoderar as mulheres, por exemplo quando respondeu, no "Programa Raul Gil", se ainda há machismo na TV.

    "Existe machismo demais no nosso país em tudo. Em relação ao salário, se você exerce a mesma função, a mulher ganha sempre menos do que o homem", disse a apresentadora, sendo interrompida por Raul: "Onde isso? Na televisão? Eu queria ganhar o que você ganha". Eliana prosseguiu: "Se você for agredida fisicamente, se o seu marido te dá um tapa, a primeira pergunta que vão fazer é: 'O que ela fez?'. Ninguém tem o direito de bater em você!".

  • Reprodução/SBT

    Lívia Andrade

    Embora seja queridinha de Silvio Santos, Lívia Andrade não deixa barato quando tem sua vida pessoal devassada no "Jogo dos Pontinhos". Quando a apresentadora exaltou a independência financeira das mulheres, Patricia Abravanel discordou: "Vai ficar solteira! Mulher tem que ser mulher, tem que fingir tudo bonitinho, que quem manda mesmo é o homem. Mulher não pode ser assim tão independente. Homem gosta de ser homem".

    Lívia rebateu incentivando as mulheres a serem independentes vendendo cosméticos da marca de Silvio: "Desculpa, mulherada, tem que ter renda, sim! Vá vender Jequiti, ganhar um dinheiro para homem nenhum mandar em você!"

  • Reprodução/SBT

    Anahy D'Amico

    Em meio a todo bate-boca e suspeita de histórias forjadas, o "Casos de Família" tem uma voz da razão: a psicóloga Anahy D'Amico. Há 14 anos no programa, a especialista tenta, com sensatez, dar um jeito nas tretas de pais e filhos, maridos e mulheres ou entre vizinhos.

    Em um programa sobre pais que rejeitam filhos gays, a psicóloga foi certeira ao alertar sobre homofobia: "Todo mundo aqui fala do medo que tem do que ele vá sofrer na rua. E o que ele sofre em casa, se sentindo inadequado o tempo todo? Ele é de um jeito que desagrada a todos. Como é que uma pessoa se sente assim?"

  • Divulgação/SBT

    Hebe Camargo

    Grande diva da televisão brasileira, Hebe Camargo merece uma menção honrosa. A apresentadora, que durante 24 anos trabalhou no SBT, e morreu de câncer em 2012, embora tivesse apreço por políticos conservadores, sempre se manifestou contra qualquer tipo de preconceito.

    Num histórico "Roda Viva" de 1987, por exemplo, quando questionada por que defendia os homossexuais, Hebe não titubeou: "Por que não defender? Eles são piores do que a gente? Eles escolheram ser assim? São seres humanos iguais à gente. Eles têm pai, têm mãe, irmãos, trabalham, pagam seus impostos. O fato de eu falar não vai mudar. Ou as pessoas nascem assim ou não nascem".