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Odorico, Sassá Mutema e outros políticos inesquecíveis da teledramaturgia

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) e Sassa Mutema (Lima Duarte) - Montagem/UOL
Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) e Sassa Mutema (Lima Duarte) Imagem: Montagem/UOL

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

06/10/2018 04h00

Quem tem idade não se esquece de personagens como Odorico Paraguaçu e Sassá Mutema. Seja corrupto, honesto ou manipulado, de prefeito a presidente da República, o político sempre está presente na ficção. 

Em tempo de eleições, o UOL listou alguns dos mais emblemáticos personagens eleitos pelo voto. Vejam quem eles são.

  • Reprodução/TV Globo

    "O Bem-Amado"

    A novela de Dias Gomes criticava o Brasil do regime militar e satirizava o cotidiano de uma cidade fictícia no litoral baiano. Foi a primeira novela em cores da televisão brasileira.

    Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) era o personagem título da trama. Prefeito de Sucupira, ele se elege com uma promessa que não consegue cumprir: inaugurar um cemitério. Para conseguir governar, ele usa de armações e corrupção.

    Exibida em 1973, o sucesso da novela foi tamanho que virou seriado em 1984. A trama incomodou políticos na primeira exibição, como o deputado Aluisio Paraguassu, do então MDB. Na época, ele reclamou: "Como a novela vem alcançando altos índices de audiência, tenho razões para estar preocupado com a possibilidade de os eleitores me confundirem com o Odorico".

    Em 2011, "O Bem-Amado" ganhou um remake em formato de minissérie, com Marco Nanini no papel de Odorico.

    Dias Gomes disse em sua biografia que se inspirou em Carlos Lacerda, jornalista e político brasileiro, falecido em 1977, que perseguiu o autor na década de 1960. "Odorico era um Lacerda exagerado", disse.

  • Reprodução/Globo

    "O Rei do Gado"

    O senador Roberto Caxias (Carlos Vereza) é um dos poucos políticos retratados como honestos na teledramaturgia brasileira. Na trama de Benedito Ruy Barbosa, exibida entre 1996 e 1997, o personagem é idealista e defende questões relacionadas à terra e o movimento dos sem-terra.

    O personagem foi protagonista de uma das cenas mais emblemáticas da trama. Caxias faz um discurso emocionado sobre os sem-terra para um plenário ocupado apenas por três senadores - um cochilando, outro lendo jornal e o terceiro falando ao celular.

    A cena causou protestos. No dia seguinte, o senador Ney Suassuna (PRB) discursou na tribuna do Senado contra o capítulo que, para ele, induzia a população a acreditar que não havia senadores honestos.

    Em outro momento em que a realidade "invadiu" a ficção, o velório de Caxias, assassinado na trama em uma emboscada ao lado do líder sem-terra Regino (Jackson Antunes), teve participação dos então senadores Eduardo Suplicy e Benedita da Silva.

  • Reprodução/Globo

    "O Salvador da Pátria"

    Político corrupto, o deputado federal Severo Toledo Blanco (Francisco Cuoco) faz a sua amante, Marlene (Tássia Camargo), se casar com o ingênuo Sassá Mutema (Lima Duarte), boia-fria que vive da colheita de laranjas. A história chega aos ouvidos do radialista Juca Pirama (Luis Gustavo), que faz sensacionalismo com o caso. Juca e Marlene são assassinados e Sassá se torna o principal suspeito.

    Quando consegue provar sua inocência, o boia-fria fica popular na fictícia de Tangará. Com isso, os políticos corruptos locais conseguem manipulá-lo e ele é eleito prefeito.

    Na sinopse original, Sassá seria eleito presidente. Exibida em 1989, ano da primeira eleição direta depois da Ditadura, o autor Lauro César Muniz sofreu pressão e mudou a trama. A esquerda identificava o boia-fria com o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e achava que o autor deveria dar outro tratamento ao personagem, que era manipulável. Já a direita via em Sassá uma propaganda subliminar que favorecia o candidato petista.

  • Reprodução/Globo

    "A Indomada"

    Mesmo em uma novela de realismo fantástico não podem faltar políticos. Exibida em 1997, a trama de Aguinaldo Silva tinha o prefeito Ypiranga Pitiguary (Paulo Betti), que tomava decisões políticas e administrativas equivocadas, o que lhe dava a fama de "prefeito maluco".

    O personagem e sua mulher Scarlet (Luiza Tomé) voltam em "O Sétimo Guardião", do mesmo autor, que estreia após "Segundo Sol". "A Indomada" também está em reprise no canal "Viva".

  • Estevam Avellar/Globo

    "Gabriela"

    A Globo exibiu o remake compacto de "Gabriela" em 2012 no horário das 23h. A primeira adaptação do livro de Jorge Amado na emissora foi em formato novela, em 1975. Além da personagem título, interpretada por Sônia Braga na primeira versão e por Juliana Paes, no remake, a história tem uma série de personagens emblemáticos, como o Coronel Ramiro Bastos vivido por Paulo Gracindo nos anos 70 e por Antonio Fagundes na segunda versão.

    Ramiro Bastos é a maior força política da região de Ilhéus, próspera cidade do litoral sul da Bahia por volta da década de 20, época da novela. Também fazendeiro de cacau, ele usa métodos violentos para conseguir o que quer.

  • Raphael Dias/Globo

    "O Brado Retumbante"

    O advogado Paulo Ventura (Domingos Montagner) é um deputado federal honesto que combate a corrupção. Ele acaba assumindo a Presidência da República por conta da morte do mandatário e de seu vice, em um acidente de helicóptero. Na série de Euclydes Marinho, de 2012, Ventura tem 15 meses de mandato para eliminar os corruptos.

    Na série, a capital do país era o Rio, e não Brasília. Foi a primeira produção a apresentar um presidente fictício.

  • Marcio de Souza/Globo

    "Senhora do Destino"

    Filho mais velho de Maria do Carmo (Susana Vieira), a protagonista da trama de Aguinaldo Silva, que foi ao ar entre 2004 e 2005, Reginaldo (Eduardo Moscovis) é um vereador de Vila de São Miguel. Ele era o típico vilão: frio, calculista, sem caráter e ambicioso. O político provocou a morte da mulher, Leila (Maria Luisa Mendonça), para se casar com a amante, Viviane (Letícia Spiller), e usa do prestígio da mãe para conseguir vantagens políticas e ser eleito prefeito. Morre apedrejado pelo povo que descobre suas falcatruas para chegar ao poder.

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