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Cinco situações bem brasileiras que inspiraram falcatruas de "Segundo Sol"

Reprodução/Globo
Severo (Odilon Wagner) entrega mala de dinheiro para Edgar (Caco Ciocler) Imagem: Reprodução/Globo

Carolina Farias

do UOL, no Rio

16/06/2018 04h00

A realidade brasileira costuma ser tão surpreendente que muitas vezes parece até ficção. Em "Segundo Sol", pitadas do noticiário nacional salpicam o enredo, um exemplo é o prédio onde vivem Rosa (Letícia Colin) e a família, além de Selma (Carol Fazu), que faz eco com o caso do edifício Palace 2, que em 1998 desabou matando oito pessoas e deixando 150 desabrigadas.

Na novela de João Emanuel Carneiro, o prédio foi erguido pela construtora da família Athayde, onde Lourival (Jackson Costa) morreu após o teto cair literalmente na sua cabeça. Revoltada, a viúva denunciou a construtora, comandada por Severo (Odilon Wagner) e Edgar (Caco Ciolcler).

“No Severo e no Edgar, o público vai reconhecer muitas histórias brasileiras, de malas roubadas, de dinheiro em cuecas, essas histórias vão refletir muito ali [no núcleo da família]. Todos os personagens dessa novela têm caráter duvidoso”, conta Fabricio Boliveira, intérprete de Roberval, que quer se vingar de Severo, o pai que nunca o reconheceu

Além dessa, o UOL lista outras situações da atual novela das 21h que remetem a situações bem brasileiras.

  • Reprodução/Globo

    Areia da praia

    Em uma das cenas da última segunda-feira (11), Roberval discute com sua mãe, Zefa (Claudia Di Moura), a repreendendo por defender Severo. "Aquela família que você venera e que foi pega tentando subornar um deputado, que matou um homem, que construiu um prédio com areia da praia?! Todo mundo sabe disso, deu no jornal. Você ainda tem coragem de vir me acusar e defender esse canalha!"

    Foi justamente o uso de areia da praia na obra Palace 2 uma das suspeitas levantadas contra o empresário Sergio Naya, dono da construtora do edifício que desabou no Rio. No fim, a perícia não foi convincente sobre o tipo de areia. Porém, a versão ficou no imaginário popular e foi parar na novela.

    As fendas surgidas nas paredes do viram até assunto para os personagens. A situação foi semelhante à vivida pelos sobreviventes do Palace 2 - alguns saíram de seus apartamentos ao virem as rachaduras pouco tempo antes de a coluna desabar.

  • Mauricio Fidalgo/Globo

    Sem indenização

    Após a morte de Lourival (Jackson Costa) o prédio foi interditado e as famílias que o ocupavam, removidas. Selma foi à imprensa denunciar a negligência da família Athayde com a obra e eles cogitam decretar falência para escapar das indenizações. No caso do Palace 2, 20 anos depois, nenhuma das famílias desabrigada recebeu o valor total das indenizações.

  • João Cotta/Globo

    Lava Jato

    Uma construtora baiana, dirigida por uma família rica e influente, que tem ligações com o poder e com corrupção. Os elementos que compõem o núcleo dos Athayde em "Segundo Sol" faz uma alusão nada velada às empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato. Ainda não há nenhum "spoiler" que indique que Severo e seus parentes serão implicados em algo semelhante.

  • Reprodução/Globo

    Farra com dinheiro público

    Laureta (Adriana Esteves) mantém uma casa de prostituição de luxo na trama e vive repetindo que seus clientes são homens influentes e importantes. No capítulo de quarta-feira (13), ela orienta Rosa (Letícia Colin) a tratar bem o "dono da metade do Mato Grosso".

    Em 2015, investigações da Lava Jato mostraram que dinheiro desviado da Petrobras bancou festas e programas com prostitutas de luxo. Um relatório da investigação apontou que, só no ano de 2012, foram gastos R$ 150 mil com essas farras.

  • Reprodução/Globo

    "Seduz o homem"

    No capítulo do dia 2, Edgar recebeu do pai uma mala de dinheiro com uma missão: "Você vai encontrar o deputado e conseguir o habite-se para as torres. Seduz o homem". Edgar leva o deputado Enfermeiro Zeca para uma "festinha" com duas meninas de Laureta, uma delas Rosa.

    Na casa de prostituição, ele entrega a mala de dinheiro ao parlamentar para convencê-lo a dar a licença para o prédio. Um dos maiores escândalos de 2017 envolveu o ex-ministro da de Governo de Michel Temer. A Polícia Federal encontrou em um apartamento, apontado como de Geddel, R$ 51 milhões distribuídos em malas. Na investigação, a polícia apontou indícios de que o montante teve origem em propinas de construtoras. Geddel está preso.