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Morador foi morto por deixar instalar medidor de audiência, diz executivo

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Diferencial da GFK é que a ela também mediria audiência em favelas Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

18/01/2016 11h32

O executivo Ricardo Monteiro, ex-presidente da empresa alemã GfK no Brasil, revelou que um morador de uma favela, na zona oeste do Rio de Janeiro, foi assassinado no ano passado por ter deixado a empresa instalar um aparelho de medição de audiência (people meter) em sua casa.

Monteiro fez essa revelação em maio do ano passado, em um evento no hotel Jequitimar, no Guarujá, diante de uma atônita plateia formada por dezenas de expoentes do mercado publicitário nacional.

Ele confirmou essa declaração em setembro a uma colunista de TV paulistana, que optou em não publicar a história. Segundo esta coluna apurou, a nova declaração --e ainda por cima a uma jornalista-- irritou ainda mais a direção do GfK. Essa pode ter sido uma das causas da demissão do executivo, anunciada quatro semanas depois.

O GfK nega que a morte tenha ocorrido (leia nota oficial mais abaixo).

O assassinato, declarou Monteiro, ocorreu porque os criminosos controlavam a venda de TV pirata na favela, e por isso não admitiam a presença de aparelhos de medição --nem do Ibope e nem da GfK-- em seu território.

“Isso não vai nos parar, isso não vai impedir nosso trabalho”, disse o então presidente da GfK à plateia.

Segundo ele, o assassino deu um tiro na cabeça do morador diante do técnico da empresa contratada pela GfK para fazer a instalação dos aparelhos de medição.

O crime seria para “dar exemplo” a outros moradores: ninguém na favela deveria aceitar nenhum aparelho de medição de audiência. Estima-se que em algumas favelas do Rio 70% das TVs por assinaturas sejam piratas (a chamada “gatonet”).

Apesar de a empresa ter anunciado na ocasião de sua demissão que Monteiro continuaria prestando serviço ao GfK, como consultor, esta coluna apurou que ele foi desligado definitivamente da empresa.

Monteiro não foi localizado pela coluna até o momento.

GFK nega

Por meio de sua assessoria, a GfK negou que o fato tenha ocorrido. Sobre o caso, a empresa emitiu a seguinte nota:

“A segurança dos nossos colaboradores é de suma importância para a GfK, da mesma forma que acreditamos ser essencial para a representatividade de nosso painel a inclusão de moradores de áreas carentes na amostra.

Como nos demais países onde atua, a empresa tem considerado com muita atenção as questões de segurança envolvidas na implantação de seu moderno sistema de medição de audiência no Brasil.

Estamos cientes e lamentamos o fato de que algumas comunidades carentes sofrem com problemas relacionados à violência. Por isso, temos um protocolo de segurança que, entre outros pontos, inclui evitar áreas conhecidas por serem particularmente violentas. Embora tenhamos enfrentado algumas dificuldades para instalar nossos aparelhos de medição de audiência em algumas áreas, nossos colaboradores jamais testemunharam um assassinato.”

Porém…

Um profissional ligado a GfK, ouvido na última sexta-feira (15) sob anonimato, afirmou que o crime foi bastante comentado por vários dias na empresa, em março do ano passado. Segundo ele, o crime teria ocorrido numa favela da zona oeste, “possivelmente” Antares.

Diferencial

Desde que anunciou sua entrada no mercado brasileiro, para competir com o Kantar Ibope, a GfK declarou reiteradamente que um de seus diferenciais é que a empresa também mediria audiência em favelas do Rio e de São Paulo.

O Ibope, no entanto, tem outra política que é definida, a grosso modo, por uma espécie de “máxima” interna: “Onde a Casas Bahia não entra, a gente também não entra.”

Ou seja, o Ibope prefere não medir audiência em locais com problemas de segurança.

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