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"Bom Dia São Paulo" gasta 30% do tempo para falar só de temperatura

Reprodução /TV Globo
Noticiário frio: "Bom Dia São Paulo" virou maior jornal meteorológico do país Imagem: Reprodução /TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

15/06/2016 11h17Atualizada em 15/06/2016 11h29

O telejornal matinal “Bom Dia São Paulo” tem ocupado até um terço de seu tempo diário para falar de um único assunto: clima.

Nesta quarta-feira, por exemplo, os temas correlatos “clima”, “temperatura” e “frio” ocuparam quase meia-hora  do telejornal (que dura de 80 a 90 minutos). Ou seja, ao menos um terço só para tratar de um único assunto.

Claro que informar a temperatura é importante para os telespectadores, mas quando isso se torna o assunto predominante de um telejornal líder de audiência, uma luz de alerta deve ser acesa. Ou será melhor dizer um “farol de neblina”?

Além do âncora Rodrigo Bocardi,  um dos maiores entusiastas do assunto, o telejornal conta com a presença quase que em tempo integral de uma moça do tempo (a bela Jaqueline Brasil); e ainda por cima tem agora um quadro chamado “Vc no Frio”, onde telespectadores mandam fotos suas devidamente agasalhados.

Mas não é só isso. Hoje, por exemplo, até mesmo uma repórter (Ana Paula)  acabou virando notícia depois que ganhou um par de luvas de uma senhora na rua, que se apiedou de sua friagem. Como a boa samaritana não quis gravar entrevista, valeu até um apelo no ar para que a tal senhora bondosa se identificasse, o que acabou virando mais uma “reportagem” do matinal.

Também houve inclusive duas longas explicações sobre a  diferença entre neblina e nevoeiro.

Até mesmo quando o âncora do telejornal seguinte dá as caras, o assunto continua sendo o mesmo: está frio, está chovendo, vai fazer sol. Tudo remete a conversas entre vizinhos dentro de um elevador.

Repetindo: nada contra informações climáticas, pois são extremamente úteis, especialmente no caso de alguém precisar usar a estrada num dia de nevoeiro (ou será neblina?); ou quando precisamos sair quando choveu muito e há ruas alagadas.

Também nada contra a descontração ou o clima fofo que invadiu praticamente todos  os jornais da Globo, especialmente no momento meteorológico --basta lembrar que a presença da moça do tempo no “Jornal Nacional” virou “o grande momento” do programa --aquele quando os âncoras levantam da bancada e caminham gloriosos pelo cenário para falar com ela.

Mas o noticiário que pulula dia e noite de portais, sites, jornais e revistas mostra que há muito mais coisas importantes acontecendo e que, talvez, merecessem ser abordadas; dar tanto espaço para um único assunto, o clima, com o perdão do trocadilho, só serve para deixar o noticiário “frio”.

Além, claro, de cansar qualquer um que esteja atrás de jornalismo e maior variedade de informações.

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