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Abordagem ao racismo em 'Velho Chico' foi exigência pessoal de diretor

Reprodução/GShow
Yara Charry (Sophie) e Gabriel Leone (Miguel) enfrentam o racismo em "Velho Chico" Imagem: Reprodução/GShow
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

03/07/2016 07h02Atualizada em 02/07/2016 17h49

Foram quase quatro meses de seleção, cerca de dez candidatas, e duas eleitas descartadas. Mas o diretor de “Velho Chico”, Luiz Fernando Carvalho, bateu o pé até, enfim, achar a personagem que procurava: Yara Charry, para o papel de Sophie.

A personagem negra fazia parte dos planos do diretor desde o ano passado, já na escolha do elenco. O surgimento de Sophie levantou o tema “racismo” na trama. Ela faz par com o personagem Miguel, interpretado por Gabriel Leone, e enfrenta o preconceito da família racista do namorado.

A primeira aprovada para o papel era francesa, ótima atriz, porém era branca e de olhos azuis: Alli Willow (conforme o UOL antecipou em 24 de maio). Carvalho adorou os testes dela, mas a descartou justamente pela cor da pele.

A Globo então escalou uma segunda francesa-brasileira, agora negra, chamada Amy Camara. Embora gente da emissora tenha chegado a anunciá-la como a dona do papel, ela foi descartada também.

Esta coluna apurou que por causa da dificuldade em atender às expectativas do diretor, a direção geral da Globo tentou convencê-lo a deixar o assunto de lado. Foi escrito até uma sugestão de roteiro no qual a namorada de Miguel apareceria numa única cena, numa conversa breve com Miguel por Skype. Carvalho insistiu.

A emissora justificou que Amy Camara teve problemas com “papéis” para visto de trabalho, mas a verdade é que ela nunca foi atriz. Ela na verdade é uma cantora muito bem conceituada, modelo até bem requisitada na Europa, mas não tinha nenhuma experiência em dramaturgia

E foi esse o motivo de ter sido barrada: não passou nos testes.

Já a finalmente escolhida, Yara Charry, decididamente é atriz, e das boas. Filha de uma brasileira casada com um milionário francês, foi criada cercada de conforto, mas estudou e se dedicou à dramaturgia com afinco. 

Além de a Globo sempre apostar na diversidade nos elencos de suas novelas, a insistência em uma atriz negra e francesa, que trouxe à tona mais uma vez a discussão sobre o racismo --problema mundial--, também não deixa de ser ótimo chamariz na hora de vender a novela ao mercado internacional. Especialmente, o europeu.

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