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Globo perde interesse comercial e gospel desaparece da programação

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A bela e afinada Aline Barros já esteve até em trilha de novela da Globo Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

15/10/2016 16h26Atualizada em 16/10/2016 08h17

Não durou nem três anos o chamado “movimento gospel” dentro da programação da Globo, em parceria com seu braço fonográfico, a gravadora Som Livre.

Pelo segundo ano consecutivo, o gospel está fora completamente da programação da Globo. Cantores evangélicos continuam sendo raridade em programas da casa, e mais difícil ainda é ver algum deles em novelas.

Por fim, a Globo também acabou com a edição nacional do festival Promessas --evento gospel regional e com desfecho em rede nacional, para grande decepção da comunidade musical e evangélica.

Nos final da década passada (2008)  a Globo começou a se interessar no gospel, e tudo fazia sentido: a Igreja Universal estava se livrando de seu plantel de artistas iniciando o fechamento de sua gravadora gospel, a Line Records. Fechamento, vale dizer, por pura implicância de Edir Macedo, que pessoalmente duvidava do poder da música como um, digamos, auto de fé.

A Line não recebia investimento algum há anos. Em vez de aproveitar a estrutura existente, não havia sinergia alguma no Grupo Record. Ou seja, a despeito da Record (Universal) ter centenas de rádios pelo país, quase nenhum artista da gravadora da igreja tocava nessas rádios.

A verdade é que, se quisesse, a Igreja Universal do Reino de Deus poderia ter se tornado a dona do gospel no Brasil na década passada, controlando o menu de artistas não só brasileiros, mas internacionais, bem como sua execução (faturaria também com direitos).

Os momentos finais da gravadora Line Records coincidem com o investimento da Globo em música gospel. A Som Livre, entre 2010 e 2014, mais que triplicou seu portfólio gospel, e tudo indicava que o estilo começaria a fazer parte da “cultura” musical global.

Isso agora é só história, pois o interesse da Globo em música gospel, tudo indica, já acabou.

@feltrinoficial

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