Coluna

Ricardo Feltrin

Atualizada em 22.02.2017 10h59

Humorista do "Pânico na Band" venceu pobreza, preconceito e abandono da mãe

Marcos Ribas/Photo Rio News
Evandro Santo na festa de aniversário do empresário Tutinha, dono do "Pânico", que o acolheu 10 anos atrás Imagem: Marcos Ribas/Photo Rio News
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

Há dez anos integrante do “Pânico”, Evandro Santo comemora o fato de hoje ser um humorista conhecido em todo o país, inclusive por causa de seu personagem mais famoso, Christian Pior.

Na verdade, Evandro tinha tudo para dar errado. Filho “acidental”, sua mãe tinha apenas 17 anos quando ele nasceu. Com um ano, foi entregue pela mãe para ser criado pelos tios. Até os seis anos, ele achava que sua tia era sua mãe, e que seus primos eram seus irmãos.

Com seis anos foi morar com a mãe verdadeira, descobriu que os irmãos eram só primos e sua cabeça sofreu um nó.

Até hoje ele não sabe quem é seu pai (tampouco sua mãe). 

Ele lembra que sua infância no interior de Minas tinha abundância apenas de duas coisas: pobreza e preconceito.

“Eu era considerado afeminado demais e sofri muitas agressões”, diz o humorista de 42 anos nesta entrevista exclusiva ao UOL.

Além do “Pânico”, Evandro Márcio dos Santos, 42 anos, também faz apresentações de stand-up, apresenta eventos e ocasionalmente também faz merchandisings.

A criança carente se tornou um artista querido e um humorista reconhecido nacionalmente.

A pobreza também se foi. Hoje, Evandro, se não é rico, ao menos festeja que em breve poderá comprar seu segundo apartamento. Também gosta de investir o que consegue em pinturas e obras de arte. Evandro tem de fato a história de um vencedor.

Leia a seguir trechos da entrevista:

Eu fiquei um tanto surpreso ao ler sobre seu passado, Evandro. Você teve uma infância muito pobre, muito triste, sofreu muito preconceito... Desculpe, mas parece que você tinha tudo para dar errado na vida…

Evandro Santo - Sim! Eu fui realmente um pé rapado. Mas acho que tinha uma alegria ali. Eu amava Silvio Santos, Bolinha, Chacrinha, ouvia as músicas no rádio relógio da minha casa, então, estava sempre cantando, tagarelando. Fui expulso de três escolas porque era considerado afeminado, e, embora bom aluno, era muito agitado.

Eu queria ser alguma coisa mas não sabia o que era, além de ser assunto da cidade, meio ET, tipo: 'Não quero que meu filho ande com o Evandro porque ele é mau elemento'. Eu  era o gay da rua, filho de mãe solteira. Tinha a mãe mais diferente e louca da rua, mas no fundo eu adorava isso.

Você acha que o sofrimento e a tristeza que você vivenciou quando criança de alguma forma influenciou você a ser um humorista, a rir da vida?

Olha, eu apanhava muito em casa porque eu era uma praga, passamos por maus momentos, e sempre ajudei em casa. Mas eu sempre tinha algo lúdico, um mundo à parte para me refugiar. Fazia teatro de vez em quando, ou pulava o muro e ia para rua, mesmo sabendo que iria apanhar quando chegasse em casa.

Existe um limite para fazer humor? Humorista tem o direito de falar sobre qualquer coisa? Que assunto para você nunca é tema de piada?

Não existe! Limite? Qual o limite da inteligência? Ou da gentileza? Humoristas se arriscam! Andam em corda bamba! Erramos! Acertamos! Alguém vai rir! Alguém vai ficar ofendido! Riscos da profissão! O politicamente correto é chato e hipócrita!

Prefiro um cara que fala na minha cara que detesta gay, que é um direito dele, do que alguém que finge gostar só porque é legal.Eu não faria piadas com doenças como  câncer ou Aids, porque já perdi pessoas queridas por isso.

Como você foi parar no Pânico? Há quantos anos já está no time?

Completo 10 anos de Pânico neste ano! Estreei com o Christian Pior e isso me marcou. Tem gente que gosta, outros que não, outros se acostumaram, enfim, só tenho a agradecer ao Tutinha, ao Emílio, ao Carioca! Eles me ajudaram e me ajudam demais.

Como é o contato com as pessoas nas ruas? As crianças gostam de você?

Eu ando a pé pela Augusta, não dirijo, só ando de táxi, falo com taxista, falo com porteiro, com a moça da Bolonha aqui do lado de casa, vou à academia do bairro, tento ser o mais simples que eu puder, viver da melhor maneira possível. Tenho dois gatos, mas gosto de gente.

Que conselho você daria para alguém que quer ser humorista?

Leia! Escreva! Descubra qual o seu tipo de comédia! Não pense no dinheiro! Não pense na fama! Pense na arte! Pense em ser artista! Dinheiro e fama são consequências! Se você for um bom artista, um artista honesto, a mãe arte, não te deixará passar fome.

@feltrinoficial

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