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Ricardo Feltrin

"Streaming não é rival da TV paga, é complemento", diz presidente da ABTA

Henrique Manreza/Divulgação
Reed Hastings, CEO e co-fundador da Netflix, dá palestra sobre a empresa em São Paulo Imagem: Henrique Manreza/Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

13/03/2017 06h02Atualizada em 13/03/2017 09h12

Para o presidente da ABTA, Oscar Simões, serviços de streaming como Netflix e outros não ameaçam a existência da TV por assinatura. Pelo contrário.

No último dia 27, o presidente da Netflix, Reed Hastings, fez previsão durante o evento Mobile World Congress, que, em 20 anos, até 90% dos vídeos estarão online.

“As novas formas de consumo de vídeo são complementares e não ameaças à TV por assinatura”, afirma Simões, contrariando quem vê rivalidade entre plataformas.

“ Isso é uma nova oportunidade de crescimento e não um risco”, declara. Para ele, o que representa risco é a competição desigual entre as operadoras, que já pagam inúmeros impostos, e novas plataformas --como o streaming-- que oferecem vídeos sem precisar cumprir as mesmas exigências tributárias e regulatórias.

Leia a seguir trecho da entrevista exclusiva do presidente da ABTA ao UOL:

A chegada de novos serviços como Netflix não coloca em risco o futuro da TV por assinatura?

Oscar Simões - As novas formas de consumo de vídeo são complementares e não ameaças à TV por assinatura. O setor de TV paga também oferece um amplo cardápio de vídeos sob demanda, que pode igualmente ser acessado pela internet – e com muito mais opções de títulos do que outras plataformas.

A TV por assinatura agora pode ser vista em qualquer lugar, a qualquer momento e em diversos dispositivos. Isso é uma nova oportunidade de crescimento e não um risco.

O que representa, sim, um risco é a competição desigual com novas plataformas, que oferecem vídeos pela internet sem precisar cumprir as mesmas exigências regulatórias e tributárias que a TV por assinatura.

O setor de TV paga defende isonomia nesta concorrência, mas isto não significa que defendemos mais tributação e regulação para as novas formas de entrega de vídeo.

Acreditamos que a melhor maneira de incentivar o acesso da população à TV por assinatura --um serviço desejado pelos consumidores– é reduzir a carga tributária e regulatória das operadoras e programadoras deste setor.

Recentemente houve uma queda de braço entre o Grupo Fox e a Sky. A operadora teve de se dobrar e melhorar a remuneração dos canais Fox depois que eles saíram do ar. Esse tipo de pressão contra operadoras não tende a crescer nos próximos anos?

Oscar Simões - A negociação entre operadores e programadores é livre e faz parte da dinâmica deste mercado. A ABTA não emite opiniões sobre negociações entre seus associados.

Twitter e Facebook: @feltrinoficial
 

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