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Ricardo Feltrin

Comentário: Famosos têm responsabilidade sobre as marcas que anunciam?

Reprodução
A jornalista e apresentadora Fátima Bernardes em comercial da Seara Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

19/03/2017 08h55Atualizada em 20/03/2017 09h48

A "Operação Carne Fraca”, desencadeada na semana passada pela PF para investigar um suposto esquema de venda irregular de carne no país, não causou danos só às empresas e acionistas, e assustou os consumidores do país.

Outro grande dano colateral atingiu celebridades como Roberto Carlos, Tony Ramos e Fátima Bernardes, que se tornaram “garotos propaganda” desse setor nos últimos anos, período em que ele viveu um “boom” expansionista (com ajuda do governo via BNDES).

Assim que a operação da última sexta foi para as ruas e prisões e conduções coercitivas foram efetuadas, o “rei”, o ator e a apresentadora matinal --todos artistas exclusivos da Globo--, ficaram na berlinda. Tony Ramos foi o único que se manifestou publicamente.

“Eu tenho carne deles no meu freezer”, afirmou o veterano ator, que se disse surpreso com a operação.

Procurado desde sexta-feira pela coluna, o escritório representante de Fátima, indicado pela Globo como contato, não respondeu aos pedidos de uma nota sobre a operação.

Fátima desde 2014 é o rosto da Seara, uma das empresas que integram o setor investigado, mas até o momento nada foi divulgado contra a qualidade de seus produtos.

Já a assessoria de Roberto Carlos não foi localizada até a publicação deste texto para comentar o assunto.

Sobre a pergunta que faço no título desta coluna, minha primeira inclinação seria dizer: sim, as celebridades são, se não responsáveis, no mínimo co-responsáveis ou parceiras das marcas que elas vendem ao público consumidor.

Por causa da propaganda, as duas criam uma espécie de pacto --comercial-- em que as imagens ficam indelevelmente grudadas.

É por isso que os famosos cobram --e que sou eu para dizer que não merecem-- montantes estimados em R$ 3 milhões, R$ 4 milhões e R$ 5 milhões (estimativa de cachê respectivamente para Tony, Fátima e Roberto nos filmes das carnes).

Por  isso não podem reclamar quando agora têm seus nomes vinculados ao caso, de receber críticas, virar “memes” e ser o mais novo alvo de chacotas da rede. Xingamentos não se justificam, claro, mas fazem parte do pacote e do jogo.

As celebridades nacionais e seus representantes estão mais que cientes que aceitar receber vultosas somas para se tornar o rosto de uma empresa junto ao público traz não só muito dinheiro na conta-corrente, mas também responsabilidade pública. Não são dignas de pena, portanto.

O fato de se tornarem porta-voz, porém, não as faz culpadas. Apesar de tudo estão fazendo seu papel profissional de forma honesta.

Como a operação da PF também não tem papel de juiz, certamente as empresas citadas ainda deveriam ser consideradas inocentes até prova em contrário, embora a população da internet seja imediatista (e não raro divertida) demais para pensar a respeito do que é justo ou não.

Convenhamos: o que Fátima, Tony e Roberto fazem quando aparecem em nossa TV são parte de uma engrenagem que inclui diretores, roteiristas, iluminadores, maquiadores e tantos profissionais do setor da publicidade; ou, do lado da empresa, açougueiros, ensacadores, motoristas, químicos, e demais empregados dedicados e honestos da cadeia produtiva.

Sim, você pode ser ideológica, alimentar ou espiritualmente contra essa cadeia, mas ainda assim ela é formada por trabalhadores.

Além daqueles profissionais que se envolvem conscientemente em irregularidades, há muitos inocentes no barco da crise, mas eles não podem ser culpados de escândalo algum por apenas trabalhar.

E qual a opinião de vocês? Entrem no sistema de comentários do UOL, logo  abaixo, e deixem suas opiniões sobre o caso.

Twitter e facebook: @feltrinoficial

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