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Ricardo Feltrin

Comentário: Zé Mayer é só a ponta do iceberg do assédio no mundo da TV

Paulo Belote/Divulgação/TV Globo
Tião (José Mayer) em "A Lei do Amor" Imagem: Paulo Belote/Divulgação/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

05/04/2017 16h05Atualizada em 05/04/2017 19h40

Em cerca de 20 anos trabalhando na cobertura dos bastidores de TV e do mundo das celebridades, ouvi inúmeros relatos de supostos casos de assédio parecidos com o que a figurinista Susllen Tonani passou --ou melhor, sofreu-- com o ator José Mayer.

Alguns casos na Globo se tornaram públicos, como um ocorrido cerca de 10 anos atrás, quando um alto funcionário do humorístico “Zorra Total” foi denunciado por uma figurante depois de enviar para ela fotos de seu pênis.

Na ocasião ela e outras profissionais figurantes disseram que a prática do diretor era corriqueira. Ele acabou demitido.

Assim como esse, o caso da semana passada, com Mayer, é a exceção, não a regra, em que a atitude machista e podre vem à luz do sol. Nesse caso, graças à coragem da figurinista.

É óbvio que a Globo não compactua com essa cultura de assédio, e tampouco é a única emissora (ou empresa) em que isso ocorre.

Mas parece ter demorado a agir e, em se tratando de Globo, tudo ganha mais visibilidade e repercussão.

O que se sabe é que os casos de assédio na TV não se resumem a isso, e que tampouco ele é exclusividade heterossexual. O assédio não tem orientação.

Muitas vezes, ele começa fora da emissora, em algumas agências de modelos desqualificadas. Outras vezes em cursos ou “encontros” com produtores de elenco associados.

Responsáveis por fazer o casting das novelas, alguns produtores (os mal intencionados, claro) também fazem uso do famoso “teste do sofá” na hora de escolher candidatas ou candidatos a papéis menores ou mesmo figuração nos programas da Globo e de outras emissoras. 

Isso quando não fazem o teste da “grana”, exigindo dinheiro de atores ou atrizes iniciantes que quiserem concorrer a aparecer, ainda que de relance, em uma produção da TV. Isso mesmo: alguns maus profissionais cobram até para enviar o currículo dos candidatos à emissora, e muitas vezes eles não têm poder algum. São uma fraude.

O caso envolvendo Zé Mayer é raro porque desta vez a profissional assediada teve a coragem e a honradez de colocar a boca no trombone.

Mas muitas profissionais não fariam isso, temendo retaliações profissionais, Susllen merece ainda mais crédito por ter batido de frente com o ator “estrela”.

Porque infelizmente o silêncio é a melhor forma de manter esse deplorável status quo.

ps: pessoalmente, não acredito em uma vírgula de arrependimento do ator José Mayer, exceto pelo fato de que foi desmascarado.

@feltrinoficial

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