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Ricardo Feltrin

Globo investe pesado em streaming, mas diz que Netflix não é concorrente

Ramón Vasconcelos/Globo
Cena da série "Carcereiros", que já está na Globo Play, mas só estará na TV aberta no próximo ano Imagem: Ramón Vasconcelos/Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

13/06/2017 09h03Atualizada em 13/06/2017 09h57

Nos últimos meses a TV Globo tem investido pesadamente em seu aplicativo de streaming Globo Play.

Além de disponibilizar todo seu conteúdo próprio e cotidiano na plataforma, a emissora avança e está lançando alguns produtos exclusivamente ou previamente no Globo Play.

Foi o caso do seriado “Brasil a Bordo”, de Miguel Falabella, e a minissérie “Carcereiros” --ambos lançados somente em streaming.

Apesar de todo o investimento, a Globo diz não considerar o Netflix seu concorrente. Afirmação questionável, uma vez que a emissora se recusa categoricamente a vender quaisquer produtos ao serviço de streaming originário dos EUA.

A Globo não revela o número de assinantes de seu serviço, mas vem repetindo à imprensa que  já foram feitos “13 milhões de downloads” do seu aplicativo.

O problema é que isso não significa basicamente nada. 13 milhões de downloads não significa 13 milhões de assinantes. Aliás, tudo indica, não está nem perto disso.

O Netflix também não revela números, mas estima-se que tenha no mínimo quatro milhões de assinantes somente no Brasil, e que seu faturamento já seja superior ao de emissoras como o SBT --conforme esta coluna informou com exclusividade no ano passado.

A emissora diz enxergar o aplicativo Globo Play como um “aliado” da TV.

“No caso das novelas, por exemplo, temos visto o Globo Play como um aliado da audiência de quem, por algum motivo, perdeu um capítulo, e recorreu à plataforma e voltou ao vídeo para seguir a sua história preferida”, diz a emissora por meio da CGCom.

Veja abaixo as respostas da Globo à coluna:

Já há algum tempo a Globo vem investindo em streaming, tendo lançado algumas produções primeiro na internet e depois na TV. Poderiam explicar essa estratégia?

Globo - O lançamento do Globo Play nos permitiu, em um primeiro momento, disponibilizar o nosso conteúdo e usar a plataforma para fazer experimentações iniciais de “binge watching”, “digital first”, “digital only” e “spin offs”, que deram certo.

Já ultrapassamos a marca de 13 milhões de downloads. E resolvemos investir mais consistentemente nessa estratégia, aproveitando nosso imenso conteúdo e o potencial de explorá-lo em múltiplas plataformas.

No caso de "Carcereiros", vocês lançaram agora na internet essa séri,e que só será exibida na TV no próximo ano. Por quê?

Globo - Porque as séries têm ganhado importância na fatia de consumo de VOD tanto no Brasil quanto no mercado internacional, além de terem uma dinâmica de consumo diferente.

A mesma estratégia nós seguimos, por exemplo, com ‘Brasil a Bordo’. Estamos aproveitando o Globo Play como uma janela de exibição de conteúdos premium.

A Globo imagina que, no futuro, o telespectador (da TV) acabe migrando (de vez) para o streaming?

A TV aberta sempre será o espaço para conteúdos que tenham uma dinâmica de consumo imediato, como o futebol, o jornalismo, realities shows, novelas.

O que queremos é ter nosso conteúdo disponível para o público no dispositivo que for mais conveniente para ele. E temos certeza de que nada substituirá o prazer de ver televisão no conforto de casa e na tela grande.

Mas queremos estar com o público também nos momentos em que essa experiência não for possível, caso ele não esteja em casa, esteja se deslocando, ou no trabalho, etc.

Não há risco de perda de interesse em novos produtos para a TV aberta, uma vez que já estão na íntegra na internet?

Não temos observado isso. Ao contrário, desde o lançamento, o Globo Play tem “reengajado” e complementado a nossa audiência.

No caso das novelas, por exemplo, temos visto o Globo Play como um aliado da audiência que, por algum motivo, perdeu um capítulo, recorreu à plataforma e voltou ao vídeo para seguir a sua história preferida.

No Brasil, o Grupo Globo parece ser o único que investe hoje de forma consistente em streaming e tem conteúdo suficiente para tal. Mas o streaming também não concorre com os próprios produtos da casa na TV paga (além da aberta)?

Temos a possibilidade, como grupo, de trabalhar o ciclo de vida de um produto em janelas diferenciadas, seja na TV aberta, na TV paga, no VOD, na internet, no cinema.

Em cada uma dessas janelas, trabalhamos os conteúdos de forma diferente, de acordo com suas características. Desta forma, todas essas possibilidades são um grande ativo para nós.

O que eu quero perguntar é se não há risco de haver um excesso de oferta em plataformas diferentes e que isso, no futuro, acabe reduzindo ou desvalorizando o valor do produto? (lei do da oferta e da procura; no caso, do "excesso" de oferta).

Nunca se viu tanta TV como se vê hoje. A oferta de conteúdo, seja em que dispositivo for, só vem aumentando. E encaramos esse movimento como uma oportunidade de “reengajar” nosso público e atingir novos públicos.

É sabido que um dos maiores problemas de se assistir TV por celular é que isso consome muita bateria. Em boa parte dos aparelhos do mercado, por exemplo, assistir a um jogo de futebol completo usará até 100% dela. Como driblar essa limitação tecnológica?

Esta é uma preocupação relevante em todos os mercados, mesmo nos mais desenvolvidos. Temos trabalhado na área de compressão de dados. Cada conteúdo é ofertado em 10 diferentes modelos de taxa, que se adaptam a quem tem celulares de 2G a 4G. E sempre ressaltamos, em nossas comunicações, que deem prioridade ao uso de redes wi-fi.

A Globo considera o Netflix um concorrente?

Temos modelos muito diferentes. Estamos em todas as janelas. E no VOD (video on demand) temos o "simulcasting", o "catch up", os trechos abertos e, também, o conteúdo exclusivo para assinantes.

Temos conteúdos nacionais de qualidade inquestionável, com o nosso jeito brasileiro de contar histórias, com talentos excepcionais, para um público amplo e diverso, do Brasil todo, de todas as classes sociais, gêneros e faixas etárias, que há anos nos escolhe, gosta, nos acompanha.

Nossas histórias fazem parte da vida das pessoas, alimentam as conversas em família, com os amigos, em casa, no trabalho, nas redes sociais.

É claro que estamos todos competindo pelo tempo de consumo de mídia com uma oferta cada vez maior, mas temos total confiança nos nossos conteúdos e na conexão que estabelecemos com o público.

@feltrinoficial

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