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Ricardo Feltrin

Exclusivo: O dia em que Silvio Santos recusou R$ 100 milhões da JBS

Lourival Ribeiro/SBT
Silvio Santos poderia ter ganho sozinho um cachê de R$ 50 milhões da JBS; mas não quis Imagem: Lourival Ribeiro/SBT
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

23/06/2017 07h02Atualizada em 23/06/2017 11h37

O escândalo e consequências da delação da JBS trouxe de volta à baila um fato ocorrido exatos dois anos atrás no SBT, mas que só agora foi conhecido pela coluna em detalhes.

Entre maio e junho de 2015, a JBS fazia uma ofensiva milionária para ter Silvio Santos como garoto-propaganda dos bifes Friboi.

Naqueles meses, a JBS era pura ostentação. A empresa estava com valor recorde no mercado, com cada ação custando mais de R$ 16. Para comparação, hoje ela está na casa dos R$ 6,00.

Semanas antes, Ticiana Villas-Boas, mulher de Joesley, assinara contrato com a emissora de Silvio Santos e quase que imediatamente a JBS sondou Silvio para fazer o comercial --como informou à época o colunista Flávio Ricco, do UOL

O que ninguém sabe é que a JBS fez a a Silvio a maior oferta de todos os tempos da publicidade brasileira: começou com R$ 35 milhões (maio) e, diante da negativa inicial do "patrão", subiu para  R$ 50 milhões de cachê (junho).

Isso representava o dobro do que a empresa havia pago a Roberto Carlos um ano antes, e dez vezes mais do que pagaria a  Tony Ramos dois meses depois da recusa de Silvio.

O problema é que não foi só o cachê que o apresentador recusou: a proposta da JBS era que, se ele aceitasse estrelar o comercial bovino exclusivo, a empresa faria investimentos de outros cerca de R$ 50 milhões no SBT até o final de 2015.

Ou seja, uma única empresa daria o equivalente a quase 10% do faturamento anual ao SBT e seu dono.

Em tempos de contração do mercado, a recusa de Silvio simplesmente levou o departamento comercial da emissora à beira de um ataque de nervos.

Que já estava nervoso porque, três anos antes (em 2012), ele já havia se recusado a vender as madrugadas para a Igreja Mundial, que acenava com um acordo que poderia render R$ 200 milhões anuais ao SBT, conforme esta coluna informou com exclusividade no ano passado.

Mas Silvio fincou pé e recusou o cachê milionário da JBS; que, consequentemente,  não investiu os tais R$ 50 milhões na emissora (nem mesmo com a mulher de Joesley lá contratada).

Muita gente à época disse que Silvio Santos havia feito a maior besteira de sua vida, por “puritanismo exagerado”, já que ele só aceita anunciar produtos de seu grupo.

Nessas duas vezes, instintivamente, ele acabou acertando na mosca: preservou a própria imagem. O que para ele certamente não tem preço.

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