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Ricardo Feltrin

"Coloquei dinheiro do bolso", diz Danilo Gentili sobre estreia no cinema

Divulgação
Danilo Gentili em cena do filme "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola", que estreou em outubro Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

26/11/2017 09h28Atualizada em 26/11/2017 18h08

Há quase um mês e meio em cartaz, a comédia “Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola” já atraiu cerca de de meio milhão de espectadores.

Provavelmente vai fechar o ano no ranking dos filmes nacionais mais vistos.

Danilo Gentili, seu autor, ator, roteirista e investidor particular, afirma que demorou cerca de quatro anos para conseguir pessoas ou empresas interessadas em apostar na comédia.

O humorista e apresentador afirma que abriu mão de cachê, de direitos autorais e de imagem, bem como nada recebeu pelo roteiro. Ele diz que colocou dinheiro do próprio bolso para viabilizar o filme, e que já está preparando o próximo filme: uma comédia de terror.

No entanto, as planilhas da Ancine apontam que "Como Se Tornar O Pior aluno da Escola" captou mais de R$ 3,2 milhões por via de leis de incentivo.

"Nesses quatro anos buscando patrocínio e alternativas, terminamos na única maneira viável: buscamos empresas de cinema que para financiar o filme utilizaram as suas linhas de incentivo. Eu abri mão de todo cachê e não recebi nada por nenhuma frente que atuei, colocando dinheiro do meu proprio bolso", afirma o humorista.

Leia abaixo trechos da entrevista de Danilo Gentili à coluna:

O filme "Como se Tornar o Pior Aluno da Escola" chega à 7ª semana em cartaz entre os mais vistos do país. Surpreendeu?

Danilo Gentili - Tem coisas que estou aprendendo apenas agora com meu primeiro filme. Uma coisa que aprendi é que uma boa conta a ser feita para entender o sucesso do filme é a da proporção de salas de cinema com pessoas que foram assistir.

Quanto mais salas, mais pessoas naturalmente vão assistir, pois em mais lugares o filme está mais disponível. Iniciamos em 340 salas diminuindo a cada semana e fizemos mais público que filmes nacionais que entraram em 700 ou 600 salas. Isso é muito significativo.

O período que foi lançado e o tema do filme também ajudam a entender porque o filme foi muito bem. Não é um filme “família”,  pra todo mundo, tipo censura livre. Não. Definitivamente foi um filme segmentado e com certo alarde em alguma parte dos veículos especializados dizendo “não vejam esse filme”.

Também não era o tipo de filme onde você compra 2 ingressos de uma vez (filme infantil ou comédia romântica, por exemplo). Outro fator pra ser analisado: o filme não foi lançado em período de férias onde o fluxo no cinema é maior.

Se você analisar nosso resultado levando em conta todos esses fatores acho que dá pra entender porque o filme teve um ótimo resultado. Eu mesmo esperava algo menor.

Você tem um perfil de quem está indo ver seu filme? Idade, escolaridade etc?

Gentili - Eu não tenho acompanhado isso. Mas vejo nas minhas redes feedback positivo de jovens de 15 a 40 anos.

Quando o filme custou no total? Quem financiou?

Gentili - Cerca de R$ 5 milhões e foi financiado pela Warner Bros, Telecine e Paris Filmes. Tivemos também (patrocinadores) como Rei do Mate, Quantum Celulares, Kindle Amazon e Telesena.

Foi difícil achar investidores?

Gentili - Muito. Ficamos quatro anos tentando e tentando encontrar muitas alternativas. Eu mesmo sou um dos investidores privados do filme: eu cedi direitos do livro pros produtores do filme, escrevi, atuei, produzi, divulguei e até cartaz e artes pro filme fiz sem receber nada por isso.

O que seria meu cachê por todas essas áreas deixei no filme para ele ser realizado e para pagar as pessoas que trabalharam nele. Fora isso eu tirei dinheiro próprio, do meu bolso, e coloquei no filme.

Dias atrás vi você postar a alguém na rede, que reclamava que era pobre e não tinha dinheiro para ir ao cinema. Você mandou a pessoa baixar o filme (pirata) no torrent. Você fez de brincadeira ou acha mesmo que quem não pode ir ao cinema deve ver em versão pirata?

Gentili - Eu fiz uma brincadeira com quem baixava o filme no torrent. Quem baixasse o filme encontraria um vídeo meu mandando eles verem o filme no cinema.

Qual seu próximo projeto para o cinema?

Gentili - O próximo filme será “Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro”.

É um terror baixo orçamento proposital que pretendemos fazer em esquema de guerrilha. Pouco dinheiro e pouca gente com muito interesse em realizar algo.

Esse projeto faz parte de mais uma etapa do meu desejo em encontrar maneiras alternativas para fazer filmes aqui. Particularmente eu não me encaixo muito bem no esquema de como é feito cinema por aqui e espero que eu adquira mais experiência e encontre alguns caminhos para continuar atuando nessa área.
E, é claro, que o público tenha interesse e se divirta.

Você diz que deu dinheiro, mas demonstrativo da Ancine mostra que o filme captou R$ 3,2 milhões via leis de incentivo...

Gentili - Eu já respondi isso em muitas entrevistas que dei para alguns portais e rádios. Estao disponiveis na internet.

A ideia original do filme foi do Fabricio - dono da clube filmes. Eu topei ceder os direitos para fazer parte do projeto e atuar na parte criativa.

Nesses quatro anos buscando patrocínio e alternativas terminamos na única maneira viável: buscamos empresas de cinema que para financiar o filme utilizaram as suas linhas de incentivo.

Eu abri mão de todo cachê e não recebi nada por nenhuma frente que atuei, colocando dinheiro do meu próprio bolso.

Entendo, mas houve uso das leis de incentivo. O que quero dizer é que não é um filme independente, certo? (nota: no texto original, por erro do colunista, foi informado incorretamente que o filme não fez uso de nenhuma lei de incentivo).

Gentili - A grande questão é que para fazer um filme você precisa de distribuidoras e co-produtora etc e elas usam dinheiro incentivado.

É assim que funciona o “mercado”, e você em sequer consegue entrar nesse “mercado” para tentar promover alguma mudança ou encontrar alguma alternativa sem as distribuidoras e as co-produtoras.

Na minha esfera de atuação e por livre iniciativa eu fiz o que considerei o melhor.

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