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Ricardo Feltrin

Após veto, jornalistas da Globo "somem" com produtos em suas redes sociais

Reprodução/TV Globo
William Bonner jamais ostenta marcas, grifes ou faz check-in em estabelecimentos; é exemplo para a casa Imagem: Reprodução/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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09/12/2017 11h07Atualizada em 09/12/2017 11h07

Se fosse feito um levantamento para saber quais foram os sites mais acessados pelos jornalistas da Globo esta semana, certamente em 1º lugar estaria o Instagram. Em segundo, o Facebook.

Isso porque os profissionais da emissora passaram a semana toda acessando freneticamente essas duas redes para apagar centenas, quiçá milhares de marcações de produtos e locais em seus post´s: -de itens de beleza a garrafas de vinho, de bares e restaurantes a  resort e hotéis etc.

A corrida dos globais para eliminar as marcações nas redes privadas começou na última segunda (4), quando todos os profissionais do Jornalismo receberam um e-mail do diretor Ali Kamel.

Na mensagem ele avisava que a prática de marcar ou fazer check-in em produtos ou locais não seria mais permitida pela Globo.

Apesar de alguns âncoras e repórteres especiais terem realmente exagerado na marcação de itens, conforme o site Notícias da TV informou anteontem, a prática havia saído completamente fora do controle nos últimos meses em absolutamente toda a redação.

Não só os medalhões do Jornalismo, mas produtores, editores, repórteres “apuradores” e outros funcionários do departamento estavam abusando dessa prática nos últimos meses. Ao ponto de chamar a atenção da chefia.

Uma repórter, por exemplo, fazia foto e marcava a loja de procedência de cada garrafa de vinho que ela abria com amigos ou familiares. Soube-se depois, ela recebia da loja um suprimento de cerca de 300 garrafas por ano (quase uma por dia).

Outro jornalista fazia check-ins quase que semanais de hotéis e resorts que ele frequentava sempre com os filhos e a namorada.

Depois, postava suas impressões sobre os locais --SEMPRE positivas-- em seu blog pessoal e em seu perfil no Instagram.

Na verdade, ele nunca pagava pelas diárias, apenas pelo consumo de frigobar ou bebidas alcoólicas.

Outra jornalista começou a fazer o mesmo dando “crédito” a todo momento a uma companhia aérea que a levava gratuitamente em viagens pelo país, ao lado do marido.

Mas há outros casos mais comezinhos, como o de um produtor da Globo que jantava todas as semanas em restaurantes e bares em troca de apenas um check-in.

E houve ao menos um curioso caso em que a jornalista (famosa) ganhou a festa de aniversário do filho num buffet infantil chique em troca de uma marcação, um post elogioso e, claro, de levar o máximo de outras amigas famosas ao estabelecimento.

Com a decisão da direção da Globo em proibir a prática, restaram na última semana apenas suspiros, choro e ranger de dentes de quem vai ter de voltar a enfiar a mão no bolso e pagar por todos os seus gastos pessoais.

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