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Ricardo Feltrin

Comediante que previu "bolha" de humoristas na TV vive (bem) de palestras

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O comediante Kim Archetti, que trocou a TV pelo método "humortivacional" Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

21/12/2017 07h02Atualizada em 21/12/2017 08h18

Nos últimos 15 anos o humorista Kim Archetti participou de vários programas de TV na MTV, Band e SBT, além de trabalhar no cinema e nos palcos.

Ele pode ser considerado um dos “pioneiros” do stand-up nacional, só que também foi um dos primeiros a perceber que havia uma “bolha” de comediantes no país, especialmente na TV, e que ela estouraria.

Em outras palavras, anos atrás ele previu que a onda do humor não iria durar muito tempo, e que ela acabaria em demissões.

Infelizmente a profecia dele, qual uma cassandra, se realizou.

Nas últimas semanas, SBT, Globo e Band, por exemplo, começaram a demitir humoristas em massa. O “Pânico”, por exemplo, está se despedindo da TV após quase uma década e meia de sucesso.

Em vez de esperar se tornar mais um desempregado, Archetti trocou antes de todos os colegas o humor comercial pelo corporativo. Hoje ele vive de palestras com o que chama de método “humortivacional”.

O que ele ganhou com isso? Cachês até 10 vezes maiores do que recebia como comediante.
 
"Eu agreguei minha experiência de palco em standup com palestras para organizações, com conteúdos motivacionais. Com isso consegui fugir do senso comum e elevei o meu cachê por show ou palestra em até dez vezes", afirma à coluna.

Archetti diz, que, sim, tem saudade dos tempos em que participava do CQC, do “The Noite” ou de programas da MTV. Cineasta, também dirigiu documentários, curta-metragens e foi assistente de direção do longa “Teste de Elenco”.

Só que financeiramente ele não tem do que se queixar.

“Eu sabia que o stand-up não iria ajudar a me sustentar financeiramente, por isso decidi criar um método diferenciado que me fizesse se destacar da concorrência”, afirma.

Para Archetti, as demissões de comediantes vão continuar; e quem quiser continuar a ganhar dinheiro na área terá de se reinventar e “obrigatoriamente” estar e aparecer na internet.

"Sem desmerecer quem atua no palco, pois todo humorista tem o seu valor, mas hoje o stand-up não dá tanta exposição quanto vídeos na internet.", pondera.

Com o sucesso --e o dinheiro que entrou-- ele também fundou uma “start-up” (a Awakim) de educação que, grosso modo, dá o caminho das pedras para quem quer aprender a se dar bem em vídeo e nas redes sociais, ou perder o medo de falar ou fazer humor em público.

Hoje, uma palestra sua pode custar mais de R$ 10 mil. Mas ele fatura muito também produzindo conteúdos empresariais na internet.

Ao contrário de seus colegas desempregados, Kim está rindo por último.

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