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Com Cátia Fonseca, Band busca atrair mais mulheres e merchandising

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Cátia Fonseca estreia no próximo dia 1º Imagem: Reprodução/Instagram/catiafonseca
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

27/02/2018 07h02Atualizada em 27/02/2018 16h24

Os últimos anos foram difíceis para a pessoa jurídica Band. A emissora carrega há anos uma grande dívida, parte dela em dólares, e tem feito o que pode para equilibrar as finanças. Já vendeu ativos, cortou custos, demitiu, reestruturou.

Uma das dívidas, inclusive, é com a TV Globo, que dois anos atrás parou de repassar jogos do Brasileiro para a emissora do Morumbi, num acordo que durava décadas.

A Band não podia mais arcar com os pagamentos dos direitos. Saiu, mas deixou pendências  financeiras a tratar com a TV da família Marinho (valor não divulgado).

Outra baixa nas receitas tem ocorrido devido a uma leve queda na venda de horários para igrejas durante as madrugadas.

No lugar de religiosos a emissora está locando a grade para empresas e terceiros (e caça-níqueis) que não pagam tão bem --e no entanto também dão zero de ibope.

Nesse sentido a nova direção artística da casa optou em soluções baixo custo e relativamente rentáveis: Cátia Fonseca e Amaury Jr. (recontratado após 15 anos no mês passado) fazem parte dessa estratégia.

A Band na verdade está resolvendo dois problemas:

1º) Resolve duas horas da grade vespertina, hoje uma colcha de retalhos sem muita lógica, que inclui debates de futebol, um caça-níquel e depois o “Brasil Urgente”.

2º) Certamente atrairá mais público feminino, bem como anunciantes e merchandising. Para quem está em crise, de grão em grão também se enche o papo.

Do ponto de vista estratégico, a Band acertou ao contratar Cátia, que estreia no próximo dia 1º de março.

Bonita, simpática, comunicativa, simples e carismática, ela também é uma grande vendedora de merchandising.

Segundo a coluna apurou nesta segunda (26) Cátia já entra no ar com uma fila de  “merchans” engatilhados.

Além disso seu programa tem baixíssimo custo, assim como o de Amaury Jr., que agora ocupa o fim de noite-início de madrugada dos sábados --um horário pouco aproveitado pelas demais emissoras.

No entanto, embora sejam mais rentáveis que a grade atual, Cátia ou Amaury não irão salvar a pátria do Morumbi.

Isso porque a Band segue com um problema crônico, insolúvel e que ninguém parece disposto a resolver: sua razoável audiência em horário nobre é derrubada todas as noites pelo programa religioso do pastor R.R.Soares.

Enquanto não resolver isso, a Band pode até arrumar a situação nas tardes ou madrugadas, mas vai continuar engessada no horário mais valioso da TV.

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