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Ricardo Feltrin

Opinião: "Timing" errado e hábito do público derrubam Band aos domingos

Divulgação/Band
José Luiz Datena comanda o "Agora é com Datena" Imagem: Divulgação/Band
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

18/05/2018 11h52

Desde que estreou, o “Agora é Com Datena” não teve quase repercussão nenhuma  junto ao público. Menos impacto ainda tem oferecido o “Show do Esporte”, com Milton Neves.

As duas atrações estão perdendo no ibope para a RedeTV! aos domingos, deixando a Band em quinto lugar.

No último fim de semana, Datena registrou 1,6 ponto em São Paulo; Neves, apenas 0,9. A TV do Morumbi apanhou de novo da concorrente sediada em Osasco.

Questionada pela coluna, a Band negou que vá fazer qualquer mudança:

“A avaliação da programação é um processo natural e contínuo na emissora. No entanto, nesse momento não existe nenhuma alteração prevista na grade de domingo”, informou a emissora por meio de sua diretoria de Comunicação..

A coluna, no entanto, apurou que já há, sim, em estudo na casa um plano B, caso esses números continuem tão baixos.

Entre as mudanças em avaliação estão a redução da atração de Datena de seis para quatro horas; a volta de Neves para a faixa das 19h; e também o retorno de filmes --quiçá documentários-- no final da noite.

Acontece que os anunciantes apostaram e esperavam um impacto bem maior da nova programação dominical. O problema é que todos parecem ter esperado “errado”.

Há dois motivos claros para a falta de resultados da Band:

1) o “timing” errado da nova programação;
2) o hábito enraizado do telespectador brasileiro --especialmente aos domingos.

Sobre o timing: com décadas de atraso a Band tenta entrar num nicho de programação já ocupado 100% pela concorrência.

Um ou dois meses atrás o canal da família Saad exibia uma “salada” aos domingos, que incluía corridas, um pouco de futebol, programas caça-níqueis (venda de grade) e ocasionalmente filmes e documentários (velhos) da BBC.

A mudança radical para uma nova grade voltada para o entretenimento foi ousada mas, os números indicam, equivocada.

E então chegamos ao segundo ponto: não se muda hábito de telespectador facilmente. Nem do dia para a noite. Aliás, talvez nem de um ano para outro.

A Band teria (terá) de insistir meses, senão anos, antes que uma parcela do público lhe volte a atenção e se desgarre dos outros canais. E a chance disso ocorrer é remota.

Não creio que nem a Band e nem o mercado publicitário tenham esse tempo ou paciência disponíveis.

Vale dizer que o programa de Datena não deve nada a nenhum de seus concorrentes.

Pelo contrário: para o que a TV aberta oferece hoje em dia, o “Agora é com Datena” tem um conteúdo interessante, variado e, em alguns momentos, até melhor que seus concorrentes diretos.

Claro que Datena obviamente não tem e nunca terá a mística de um Silvio Santos. Tampouco tem o traquejo e talento artístico de um Rodrigo Faro ou de Eliana no palco.

Mas, tem um estilo pessoal, popular e definido. É carismático, bom entrevistador, repórter nato e um apresentador “gente como a gente”.

Não é à toa que já foi identificado em pesquisas como uma das personalidades mais influentes do país. Capaz, inclusive, de mexer com o cenário eleitoral regional e nacional.

Mas, isso é pouco para alterar décadas e décadas de hábito do público, que ainda tem outros “passatempos” chamando sua atenção, como a TV paga, a internet, as redes sociais.

Em algum momento essa ficha terá de cair na emissora do Morumbi.

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