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Crítica: Plateia feminina -e afinada- é o melhor do "Só Toca Top", da Globo

Manuela Scarpa/Brazil News
Fernanda Souza e Luan Santana apresentam o "Só Toca Top", no ar na Globo e no Multishow Imagem: Manuela Scarpa/Brazil News
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

2018-07-14T16:38:00

14/07/2018 16h38

Estreou neste sábado (14) o “Só Toca Top”, na Globo. A atração teve “pré-estreia” um dia antes no Multishow. Podem se acostumar. A co-exibição de atrações em plataformas vai ser  tendência no Grupo Globo nos próximos meses e anos. Está certa a emissora.

Pelo discurso da direção e dos apresentadores, Fernandinha Souza e Luan Santana, o “Só Toca Top” se propõe a divulgar, semanalmente, as músicas brasileiras mais tocadas nas rádios brasileiras.

Do ponto de vista de formato o programa que estreou não tem novidade nenhuma. Zero.

Não passa de uma releitura, readaptação ou “remake” (escolham) do que a própria Globo já fazia 45 anos atrás quando estreou o “Globo de Ouro” --que teve mais de 20 apresentadores diferentes e quase o mesmo tanto de diretores.

É também parecido, embora bem melhor, que o tedioso “Jovens Tardes” (2002-2004), dirigido por Marlene Mattos. Equivalente ao "Estação Globo", com Ivete Sangalo (2004-2009).

Sem entrar no mérito da qualidade das atrações, o novo programa da Globo-Multishow teve alguma democracia musical, de  gêneros e até de gravadoras.

Admito que esperava que, como já ocorreu antes, o “Só Toca Top” fosse só um palco para a divulgação de artistas da gravadora da casa, a Som Livre.

Pois não foi. Na estreia houve uma respeitável abrangência.

Apresentaram-se nove artistas ou grupos, de sete gravadoras e ao menos seis estilos (mais ou menos) diferentes.

Na verdade só dois eram da Som Livre (Gustavo Lima e Zé Neto & Cristiano). E dois de uma gravadora jovem e voltada ao som da periferia, a Kondzilla.

Na pré-medição de audiência da Kantar Ibope, o programa manteve a média de outras tardes de sábado com filmes.

Marcou 12,6 pontos de média, quase o dobro do SBT (6,6 pontos); a Record ficou em terceiro, com 4,1 pontos e a Band veio a seguir, com 1,4. Cada ponto em SP vale por 72 mil domicílios.

AS VERDADEIRAS ESTRELAS

Se houve uma novidade no “Só Toca Top” foi o volume e a intensidade da participação da plateia, majoritariamente feminina.

Na equalização, a sempre competente área técnica da Globo deixou a voz do público em volume quase igual ou até acima ao dos próprios artistas (em alguns momentos).

O resultado é que o telespectador recebeu em casa não só artistas cantando seus sucessos, mas uma “grande voz”, uma espécie de massa vocal, como se ele estivesse em um show de arena abarrotado de fãs ensadecidas --e afinadas no conjunto, vale registrar.

Elas, sim, foram a grande e até aqui única novidade de um formato musical já consagrado (ou gasto?) pela própria emissora há décadas.

Programa: “Só Toca Top”
Onde: Globo e Multishow
Quando: Sextas no Multishow, 21h30; sábados na Globo às 15h
Avaliação: Bom

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