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Ricardo Feltrin

Nova grade da GloboNews fracassa e causa tensão em equipes

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Izabella Camargo e José Roberto Burnier no jornal matinal "Em Ponto", da GloboNews Imagem: Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

13/08/2018 14h49

Os nervos estão à flor da pele nos bastidores da GloboNews. Repórteres insatisfeitos(as), reclamações entre colegas até ao vivo, erros técnicos, muita matéria repetida e, principalmente, ibope em alguns horários já rondando o chamado “traço”.

Eis a fórmula ideal para gerar tensão em todos os níveis em uma empresa, e é exatamente isso que ocorre neste momento no canal jornalístico da Globosat.

Um aparente erro decisório foi a criação de três programas jornalísticos com três horas de duração cada: o “Em Ponto” o “Edição das 10” e o “Estúdio i” conforme esta coluna antecipou em abril.

Exibido  das 6h às 9h de segunda a sexta, por exemplo, o “GloboNews Em Ponto” --maior investimento da nova gestão da GloboNews-- completa duas semanas no ar com resultados pífios no ibope.

Ancorado por José Roberto Burnier), o “Em Ponto” estreou no fim do mês passado e chegou a dar quase 0,5 ponto de audiência em SP na estreia.

Parece pouco, mas, para a TV  paga, esse índice é até respeitável (cada ponto = 72 mil domicílios)

O problema é que depois disso foi só queda de público. Hoje o “Em Ponto” chega a dar média de 0,2 ponto --o que é muito próximo do chamado traço de audiência.

A coluna apurou que, inclusive, a direção parou de enviar para os editores-chefes as médias de audiência, numa tentativa para não desanimar a equipe.

O “jornalzão” matinal tem dezenas de profissionais envolvidos, e de longe é um dos maiores custos da casa.

No entanto, não está atraindo nem público e tampouco anunciantes, o que amplia a insegurança.

Entre outros defeitos o telejornal abusa de matérias longas e de quadros demorados e cansativos.

Já o “Edição das 10h” também se tornou prolixo em suas três horas, uma vez que repete muitas coisas do “Em Ponto”.

Por sua vez, o “Estúdio i” já era uma atração complicada com duas horas de duração. Com três, ficou mais cansativa e igualmente prolixa.

O telespectador da GloboNews vê hoje de forma cotidiana os mesmos repórteres entrando em todos os jornais para falar exatamente a mesma coisa. Cansa.

OUTRO LADO

"Em contato com a coluna nesta terça-feira, a GloboNews, por meio da CGCom, disse o seguinte:

A nota (de hoje) está completamente errada, a começar pelo fato de que o "Em Ponto" sequer completou um mês. Mesmo assim, diferentemente do que afirma a nota, já é um êxito completo. O "Em Ponto" ajudou a alavancar a faixa das 06h às 09h.

Estamos 25% acima da média de audiência, em relação ao mês de julho. Onde está o fracasso? Aumentamos de audiência

Entre as faixas de 12h/13h e 13h/14h, momentos que representam o aumento do tempo de produção do "Edição das 10" e do "Estúdio i", a Globonews teve crescimento de 50% e 42% respectivamente após as mudanças da grade do canal, em relação às últimas quatro semanas.

Com a nova grade ganhamos sete posições  no ranking na tv por assinatura, em relação ao mês anterior. O ambiente na redação é o melhor possível. Checar informações repassadas por quem tem o objetivo é uma boa medida. Recomendamos." 

NOTA DA COLUNA

A coluna corrigiu a informação sobre a data de estreia do "Em Ponto", que de fato estava errada. E o fez antes mesmo de a Globo enviar a nota acima.

De maio para junho a Globonews marcou 0,42 ponto em audiência na TV paga, caindo 37% na audiência, passando do 8º lugar no ranking para o 17º..

Em julho, a emissora fechou com 0,43 ponto, ainda em 17º lugar (dados consolidados de Ibope). Ainda não há dados consolidados do mês de agosto, só dados prévios.

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