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Ricardo Feltrin

TV aberta passa "vergonha" em cobertura do incêndio do Museu Nacional

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

02/09/2018 22h14

Mais uma vez a TV aberta mostra que sua vocação definitivamente não é jornalismo e nada que seja em tempo real.

Nesse setor essa mídia já foi devorada amplamente pela internet e por uma parte menor da TV paga.

Eram 19h30 quando começaram a pipocar nas redes sociais --especialmente twitter-- as primeiras imagens do incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio e o maior acervo de história do Brasil (cerca de 20 milhões de itens).

Das abertas, a  Globo foi a primeira a mostrar um rápido “plantão” ainda durante o “Domingão do Faustão”.

Quando começou o “Fantástico” houve um princípio de caos, com vários erros técnicos.

Parecia claramente que a produção não estava preparada para nada em tempo real.

O SBT, segundo a coluna apurou, tinha desde às 20h30 duas equipes completas com link no local da tragédia.

Mas, pasmem, elas não têm permissão do dono (Silvio Santos)  para interromper a programação. Muito menos o programa dele.

As equipes do SBT estão coletando informações e entrevistando pessoas, mas tudo isso só poderá ser usado depois das 2h.

A Record deu um “miniboletim” de cerca de 40 segundos.

Porém, enquanto o incêndio devorava a história do país, o “Domingo Espetacular” estava mais preocupado em mostrar bichinhos fofos ou falar da própria novela “Jesus”.

E isso porque a emissora se gaba de ter helicóptero.

A RecordNews, coitada, há anos nem sequer mais faz jus a esse nome.

Nem tem equipe, muito menos plantão. Só uma programação estática. Como um programa sobre a Flórida, por exemplo.

A Band, nesse quesito, só não passa mais vergonha porque sua “congênere” Bandnews ainda se mexeu e trouxe imagens e informações.

Mais uma vez, como vem ocorrendo ao menos desde o 11 de Setembro, a GloboNews mostrou que, de todas as TVs abertas e fechadas do país, ainda é a mais confiável para quem  procura jornalismo e agilidade ao mesmo tempo.

A GloboNews ouviu especialistas, o diretor do Museu Nacional, museólogos, autoridades, bombeiros, apurou informações antes de todas as demais.

De fato, foi a única a ter respeito pela (triste) história do país.

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