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SBT mira Porchat, Mion e Bacci, mas teme custos e cláusula contratual

Leo Franco/AgNews
O apresentador Luiz Bacci, do "Cidade Alerta": maior audiência da Record em São Paulo Imagem: Leo Franco/AgNews
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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19/11/2018 06h30

Embora a TV aberta esteja um tanto “descapitalizada” (exceto Globo e Record), a maioria dos executivos e donos do setor estão otimistas com 2019. Ao ponto de fazerem planos para novos programas e contratados.

Depois de a Globo mirar em Marcos Mion e Fabio Porchat, cujos contratos com a Record estão no fim, o SBT também colocou os dois artistas em seu radar.

E mais um terceiro: Luiz Bacci, que já é um namoro antigo.

O problema é que Silvio Santos não quer causar uma saia justa com a “parceira” Record (ambas são sócias na joint-venture Simba, que tem ainda a RedeTV).

Tudo por causa de uma cláusula contratual que está presente ao menos nos contratos de Bacci (vence no fim de março) e de Mion (vence em janeiro):

Pela cláusula, se um deles receber uma proposta  de outra TV enquanto o contrato estiver em vigor, a Record tem direito de, caso queira, cobrir a proposta e mantê-los no elenco.

A cláusula na verdade “empaca” as negociações dos artistas e cria uma situação delicada do ponto de vista entre empresários.

Explico: primeiro porque se Silvio fizer uma proposta, ele sabe que pode ser “cabongado” pela Record, que tem a opção de cobrir a oferta, então pode ser tudo em vão.

Em segundo lugar porque tem a questão “diplomática” do caso: se Silvo oferecesse muito dinheiro aos artistas (o que é improvável) ele poderia ainda ser acusado pela “sócia” Record de ter inflacionado a folha de pagamentos.

Pior ainda: a Record poderia começar a fazer o mesmo com contratados do SBT. É uma guerra que as duas TVs já travaram na década passada.

Por outro lado, a Record adota a estratégia de não oferecer renovação de contrato nem com Bacci e nem com Mion até o último segundo de contrato de ambos (Porchat pediu para sair).

Resumindo:

Se Mion e Bacci conversarem com outras TVs, não poderão decidir nada, na verdade. A Record tem a palavra final e pode cobrir eventual oferta (fora a possibilidade de renovar e, só por birra, deixá-los na geladeira; isso não é impossível e já ocorreu);
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Se os apresentadores  não conversarem com outras TVs, não terão propostas e, por sua vez, a Record tem a chance de renovar seus contratos (caso queira) por valores até menores. Tipo: “Ué, você não tem proposta de ninguém, vou te dar aumento por quê?”

Numa comparação usando bichos, parece um jogo de gatos (donos de TVs) e ratos (profissionais). Todos gordos e bem nutridos, é bom lembrar.

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